Para celebrar o Dia Mundial do Livro, nada mais justo do que exaltar as vozes que não apenas leem, mas sustentam o mercado editorial brasileiro. Atualmente, 49% das mulheres se declaram leitoras, contra 44% dos homens, de acordo com a pesquisa mais recente do Retrato da Leitura no Brasil.
O impacto financeiro é ainda maior, já que elas representam 62% dos compradores de livros no último ano, segundo uma pesquisa da Câmara Brasileira do Livro, realizada pela Nielsen BookData. No entanto, ocupar esse espaço de destaque exigiu, e ainda exige, derrubar uma série de barreiras.
Romper a falta de espaço no mercado publicitário foi a missão de pioneiras que transformaram a escrita em um ato de resistência e de busca por mais direitos. De Virginia Woolf à Angela Davis, essas autoras moldaram o pensamento feminista e provaram que a literatura é um território para fazer com que suas vozes sejam amplificadas.
Confira à seguir 11 obras fundamentais para entender as lutas femininas no Brasil e no mundo:
Um Teto Todo Seu, Virginia Woolf
Um clássico que busca responder a pergunta: o que uma mulher precisa para criar?. Virgínia argumenta que, sem independência financeira e um espaço físico de privacidade (um teto e dinheiro), o potencial criativo delas permanece sufocado pelas amarras da sociedade, que ainda hoje é patriarcal.
Mulheres, raça e classe, Angela Davis
Uma aula sobre como raça, classe e gênero se entrelaçam para estruturar a sociedade. Angela Davis denuncia o encarceramento em massa e aponta que a construção de um novo modelo social passa, necessariamente, pela vivência e luta das mulheres negras.
Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva, Silvia Federici
Nesta obra, a autora conecta a caça às bruxas ao nascimento do capitalismo. Ela mostra como a perseguição às mulheres foi uma estratégia para controlar seus corpos e funções reprodutivas, transformando-as em peças da engrenagem de produção.
Por um feminismo afro latino-americano, Lélia Gonzalez
Uma coletânea que traz o conceito de “amefricanidade” e discute o racismo estrutural com situações comuns nos anos 70/80 mas ainda continuam atuais, influenciando gerações, inclusive a própria Angela Davis.
História das Mulheres no Brasil, Mary Del Priore
Uma viagem do Brasil colônia aos dias atuais, a obra humaniza a história ao mostrar como as brasileiras nasciam, amavam e resistiam, independente das classes sociais, etnias e regiões, derrubando mitos sobre a submissão feminina no país.
Uma história feita por mãos negras, Beatriz Nascimento
Historiadora e poeta, Beatriz dedicou-se a resgatar a trajetória negra sob uma perspectiva própria e explorar o quilombo não apenas como refúgio, mas como um sistema social, rompendo com séculos de invisibilização.
Olhos D’Água, Conceição Evaristo
Com uma escrita sensível e profunda, a autora retrata a realidade da população afro-brasileira. Seus contos trazem mulheres que, entre a pobreza e a violência, equilibram-se na “corda bamba do tempo”.
Para educar crianças feministas, Chimamanda Ngozi Adichie
Escrito em formato de carta, este manifesto oferece sugestões práticas para criar filhos em um mundo mais igualitário. Chimamanda defende que a mudança começa na educação básica e na divisão justa de tarefas dentro de casa entre os pais.
O segundo sexo, Simone de Beauvoir
O marco inicial do feminismo moderno, a autora analisa a condição feminina sob prismas sociais e biológicos, cunhando a ideia de que ninguém nasce mulher, mas torna-se uma, denunciando como a sociedade molda a mulher para ser sempre o “outro” em relação ao homem.
Quem tem medo do feminismo negro?, Djamila Ribeiro
Misturando memórias pessoais e artigos, Djamila discute o silenciamento histórico das mulheres negras enquanto discute conceitos como interseccionalidade e a importância de ocupar espaços de poder e fala.
O feminismo é para todo mundo, Bell Hooks
Nesta cartilha, Bell Hooks desmistifica o feminismo como algo “contra os homens” e o apresenta como um movimento focado em acabar com o sexismo e a opressão, mostrando que a educação feminista beneficia toda a sociedade, abordando amor, direitos reprodutivos e trabalho para a construção de uma sociedade mais justa.