A pesquisa “Viver nas Cidades: Mulheres 2026”, lançada na quinta-feira, 5, pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec, em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen e o Sesc-SP, aponta que 71% das entrevistadas já foram vítimas de assédio.
O estudo, que comparou dados de 2024 e 2025 através de 3.500 entrevistas em dez capitais, expõe um “duplo fardo”: a desigualdade invisível do trabalho doméstico e a exposição constante à violência pública.
A percepção de que as tarefas de casa são divididas igualmente é um ponto de discórdia. Enquanto 47% dos homens acreditam em um equilíbrio, apenas 28% das mulheres compartilham dessa visão.
Na prática, 44% delas sentem que realizam a maior parte do trabalho. Manaus e Belém são as cidades onde a sensação de equilíbrio doméstico é mais forte, atingindo 45%, em contraste com Porto Alegre, que registrou a menor (34%).
Os principais lugares de insegurança
Fora de casa, a percepção é de constante alerta. Sete em cada dez mulheres (71%) afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio, um número que não mudou muito em relação aos 74% registrados em 2024. As ruas e praças seguem como os locais de maior vulnerabilidade (54%), seguidas de perto pelo transporte público (50%).
Porto Alegre lidera com o maior índice de relatos (82%), enquanto Belém viu um aumento de novo pontos nos casos, chegando a 79%. No sentido oposto, o Rio de Janeiro apresentou a maior queda, recuando de 77% para 69%.
Em relação ao ambiente de trabalho, 36% das entrevistadas afirmam já terem passado por situações de assédio e 32% relataram casos em bares ou casas noturnas. 26% pontuaraam o ambiente familiar e 19% transportes particular, como Uber, táxi, etc.
Punição ou acolhimento?
Quando questionadas sobre como frear esse ciclo de violência, as respostas variaram conforme o gênero. A agilização do andamento da investigação das denúncias foi citado por 37% dos entrevistados, tendo uma diminuição significativa em relação a 2024 (54%).
Porém, por mais que o endurecimento das penas (55%), assim como a ampliação dos serviços de proteção (48%), continuem sendo pontos de consenso, as mulheres demonstraram uma preocupação maior com a qualidade do suporte recebido.
Enquanto apenas 17% dos homens focam na capacitação do atendimento, 28% das mulheres consideram prioritário treinar funcionários para acolher adequadamente as vítimas.
Esse dado reforça a urgência de fortalecer não apenas a lei, mas os mecanismos práticos de proteção e denúncia em cidades como São Paulo e Goiânia, onde a demanda por ampliação de serviços de apoio cresceu, segundo o levantamento.