78% das mulheres apontam que as empresas deixam pauta de gênero em segundo plano

Pesquisa do Infojobs mostra o abismo entre o discurso corporativo e implementação práticas, destacando desigualdade salarial e a dificuldade de ascensão profissional

Envato
Para 68% das mulheres de grupos minoritários a ascensão não é igualitária. Foto: Envato

Segundo a pesquisa “Panorama da Mulher no Trabalho”, realizada pelo Infojobs, 78% das profissionais afirmam que temas como equidade salarial e apoio à dupla jornada ainda são tratados como prioridades secundárias pelas empresas. Apenas 22% das mais de mil entrevistadas acreditam que a inclusão é lidada de forma adequada.

Dentre elas, apenas 45% percebem a igualdade de gênero em cargos de liderança dentro de suas empresas, enquanto 27% ainda sentem que a desigualdade é explícita e 19% identificam diferenças mais sutis. 

A ascensão a para cargos de tomada de decisão também continua sendo um dos maiores desafios. Apenas 3% das mulheres ocupam cargos de diretoria ou liderança sênior, enquanto 5% estão em posições de coordenação ou gestão, enquanto 21% estão no início da carreira ou em funções de especialista ou analista (17%).

A pesquisa identifica o fenômeno do “teto de vidro”, no qual as mulheres não conseguem ascender a posições mais altas, em diferentes estágios. 45% das entrevistadas percebem essas barreiras na transição de níveis técnicos para de gestão e 20% para os cargos de C-level. 

Grupos sub representados

Para mulheres de grupos minorizados, como pretas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência, as barreiras são ainda maiores. Para 62% dessas profissionais, a ascensão não ocorre de forma igualitária.

Atualmente, 54% das mulheres estão fora do mercado de trabalho, segundo a pesquisa. Essa realidade é ainda mais dura na faixa acima dos 45 anos, na qual o índice de desemprego salta para 60%.

O ambiente corporativo também tem impactado sua saúde mental e performance. Apenas 33% delas se sentem à vontade para se posicionar ou errar em suas funções. Outras 45% afirmam que precisam de uma cautela excessiva e 22% sentem que o ambiente não tolera discordâncias ou erros.