Afastamentos de mulheres por agressão crescem 152% no Brasil

Pesquisa mostra que a violência doméstica não fica restrita ao lar, impactando diretamente a saúde ocupacional e a produtividade, tendo atingido um patamar recorde em dois anos

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2025 teve o maior patamar da série histórica, com 58 ocorrências registradas. Foto: Envato

Dados recentes da VR, empresa de soluções para o ecossistema de trabalho, mostram que os afastamentos de mulheres por motivos de agressão saltaram 152% entre 2023 e 2025. Segundo o estudo, o que começa como um conflito doméstico transborda para o ambiente corporativo, podendo se manifestar em interrupções de carreira e impactar na saúde pública.

O levantamento, que analisou 4 milhões de trabalhadores, mostra que 2025 teve o maior patamar da série histórica, com 58 ocorrências registradas via atestados médicos, superando os 41 casos de 2024 e os 23 de 2023. 

De acordo com as Classificações Internacionais de Doenças (CIDs) apresentadas nos atestados, 85% dos afastamentos são decorrentes de agressões físicas, 10% por maus-tratos e o restante divide-se entre negligência, abandono e agressão sexual por força física.

O estado de São Paulo lidera o ranking com 45% dos registros, seguido por Paraná (11%) e Goiás (7%). O segundo semestre concentra o maior volume de casos, com um pico em novembro, quando é comemorado o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, dia 25. 

Agressão como questão de saúde 

Para Willian Gil, diretor-executivo da VR, os dados provam que a violência de gênero deve ser tratada como uma pauta urgente de saúde do trabalho. “Os números mostram que a violência contra a mulher também é uma questão de saúde do trabalho. O afastamento não é apenas consequência de um episódio isolado, ele representa impacto emocional, físico e financeiro que chega ao ambiente corporativo. As empresas precisam estar preparadas para acolher e apoiar essas trabalhadoras”, afirma.

Nesse contexto, a VR defende a estruturação de programas de apoio que envolvam suporte psicológico para o acolhimento imediato, advogados para orientação jurídica e assistentes sociais que possam auxiliar a trabalhadora a lidar com esse ciclo de agressão, como o Programa de Apoio ao Empregado (PAE), utilizado pela empresa. 

Além disso, também são utilizadas ferramentas digitais que permitem o acompanhamento de jornadas e afastamentos, o que dá aos líderes maior visibilidade sobre essas questões.