Angela Sirino transforma trajetória pessoal em projeto de saúde mental

Psicanalista e empreendedora fala sobre perdas, autoconhecimento e a criação de um ecossistema de cuidado

Leo Monteiro/IstoÉ
Foto: Leo Monteiro/IstoÉ

Pastora, psicanalista clínica, escritora e CEO do Instituto Fazendo a Diferença, Angela Sirino tem ampliado sua atuação na área de saúde mental com a proposta de criação de uma clínica voltada a um modelo integrado de cuidado emocional, unindo clínica e espiritualidade. 

À frente da formação de profissionais e da consolidação de um método que articula diferentes dimensões do atendimento terapêutico, ela afirma ter identificado lacunas estruturais no acolhimento de pacientes em crise no Brasil. No IstoÉ Mulher + Fructus Entrevista, detalha como experiências pessoais influenciaram sua trajetória profissional e os planos para o novo projeto.

Nascida em Palmeiras, Goiás, Angela relembra a infância como um período em que já organizava doações de alimentos e itens da própria casa para comunidades carentes. Afirma que o ambiente familiar era complexo e que, desde cedo, buscava conhecimento como forma de construir uma realidade diferente no futuro.

Na adolescência, ingressou no universo da moda e participou de concursos de beleza. Apesar da visibilidade, relata ter enfrentado episódios de depressão. “Eu estava no auge daquilo que toda menina da minha idade queria, mas me faltava algo”, afirma. A busca por respostas levou primeiro a uma experiência pessoal de espiritualidade e, anos depois, ao estudo da psicanálise. O contato com a área ocorreu na vida adulta, após enfrentar perdas familiares significativas, entre elas a morte de uma filha recém-nascida. 

Já na atuação profissional, relata ter identificado dificuldades recorrentes no atendimento em saúde mental, especialmente em casos de surto. Cita a escassez de leitos para internação e a predominância de tratamentos baseados exclusivamente em medicação. A partir dessa constatação, passou a estruturar o projeto da clínica, que pretende reunir equipe multidisciplinar e oferecer acompanhamento contínuo.

Ao falar sobre o trabalho, reforça que sua proposta não está vinculada a denominação religiosa específica e que o foco está no desenvolvimento individual. Para ela, o ponto central é o autoconhecimento. “Busque conhecer primeiro a sua própria história”, resume. Entre os planos futuros está a consolidação da clínica e a ampliação da formação de profissionais na área de saúde mental.

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