Novo levantamento da UIP (União Interparlamentar) e da ONU Mulheres, divulgado nesta sexta-feira, 13, aponta que apenas 22,4% dos gabinetes de governo em todo o mundo são ocupados por mulheres. Das 193 nações reconhecidas, apenas uma em cada sete tem uma mulher como chefe de Estado ou de governo em 2026.
De acordo com o estudo, apenas 28 países são dirigidos por mulheres atualmente e 101 estados nunca tiveram uma liderança feminina ao longo de sua história. O relatório ressaltou ainda que quando as mulheres ficam fora da liderança política, decisões em assuntos cruciais, como paz, segurança, e prioridades econômicas, são tomadas sem a cooperação delas, que representam metade da população.
“Num momento de crescente instabilidade global, escalada de conflitos e uma visível reação contra os direitos das mulheres, excluir as mulheres da liderança política enfraquece a capacidade das sociedades de responder aos desafios que enfrentam”, alertou Sima Bahous, diretora-executiva da organização, em nota.
Parlamentos e o desafio da paridade
Embora a presença feminina nos Parlamentos tenha registrado um aumento, chegando a 27,5% em 2025, o crescimento é o mais lento desde 2017, de apenas 0,3 pontos em relação ao ano anterior.
Por outro lado, as mulheres perderam espaço em cargos legislativos. Em janeiro de 2026, apenas 19,9% das presidências de Parlamentos eram ocupadas por elas, a primeira queda registrada em 21 anos.
O relatório identifica ainda uma tendência de recolocação das ministras em pastas específicas, com as mulheres liderando 90% dos Ministérios de igualdade de gênero e 73% dos Ministérios de assuntos da família e infância.
A paridade de gênero, nesse contexto, se torna uma exceção, sendo observada apenas em 14 países. Enquanto isso, os homens seguem dominando quase exclusivamente áreas como defesa, justiça, economia e governança.
A violência institucional
Além das barreiras estruturais, a violência política também surge como um fator impeditivo. Segundo o relatório, 76% das parlamentares relataram ter sofrido intimidação e hostilidade, tanto no ambiente on-line quanto fora dele.
“A paridade é uma obrigação moral porque as mulheres têm o mesmo direito de influenciar as decisões que regem as suas vidas. Mas também é a coisa inteligente a fazer. As instituições tomam melhores decisões quando refletem as sociedades que servem”, afirmou Tulia Ackson, presidente da UIP, em nota.
Para que seja possível superar esse cenário, a ONU Mulheres defende a remoção de leis discriminatórias, o combate à violência contra a mulher na política e o acesso igualitário a recursos para garantir que o poder de decisão seja, finalmente, compartilhado.