Bailarina brasileira Bethania Nascimento é homenageada em Nova York

Ex-primeira bailarina do Dance Theatre of Harlem retorna à companhia como homenageada na reestreia do balé "Pássaro de Fogo"

Agência Brasil / Isabela Vieira
Bethania é a única brasileira, e estrangeira, entra as 10 dançarinas que deram vida ao papel principal Foto: Agência Brasil / Isabela Vieira

Bethania Nascimento F. Gomes, bailarina brasileira que nos anos 2000 foi protagonista de Pássaro de Fogo, retorna aos palcos. Desta vez, ela será a grande homenageada na reestreia da montagem que abre a temporada do Dance Theatre of Harlem, nos Estados Unidos. A produção é uma releitura afro-caribenha do clássico balé russo, que será apresentada em Nova York nesta quinta-feira, 16. 

Em quatro décadas de história da companhia, apenas dez bailarinas deram vida ao papel principal deste balé, e Bethania ainda é a única brasileira e estrangeira a alcançar tal feito. Durante as apresentações, ela percorreu mais de 20 países, indo da China à Nova Zelândia.

Após duas décadas de dedicação ao Dance Theatre of Harlem, hoje transita pelos bastidores como treinadora e coreógrafa, além de trabalhar na divulgação do legado intelectual de sua mãe, a historiadora Maria Beatriz Nascimento.

A luta contra o racismo 

A dança entrou cedo em sua vida, aos 9 anos, por uma indicação médica, sendo, quase sempre, a única menina negra nas aulas. Mais tarde, Bethania foi aluna de Consuelo Rios, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, outra pioneira negra na dança.

Devido a agressões racistas, Bethania acabou desistindo de sua vaga no Municipal. Porém, foi em Nova York,, no Dance Theater of Harlen, que ela finalmente ganhou o posto de primeira-bailarina, após entrar ainda como aprendiz.

O teatro nasceu em 1969, idealizado por Arthur Mitchell e Karel Shook em meio aos movimentos pelos direitos civis americanos. É nesse contexto em que surge a versão de Pássaro de Fogo que a brasileira protagonizou.

Trata-se de uma montagem afrofuturista, com coreografia de John Taras e figurino produzido por Geoffrey Holder, que juntos mesclaram a narrativa russa com a diáspora africana.