Bicampeã do Ironman Brasil, Larissa Fabrini já acumula 7 vitórias na competição

Se antes ela fugia da educação física, a curiosidade de usar a piscina do prédio transformou sua relação com o esporte e fez com que se tornasse bicampeã brasileira

Divulgação
Larissa Fabrini, campeã do ironman Brasil em 2024 e 2025 Foto: Divulgação

Larissa Fabrini não nasceu para ser atleta ou, pelo menos, foi o que pensou durante boa parte da vida. Radicada em Belo Horizonte, ela cresceu em uma família de comerciantes na qual o esforço era direcionado aos livros, não às competições. “Minha mãe sempre falava que pobre tem que estudar. Então, eu estava muito mais focada no estudo do que no esporte”, conta.

Na adolescência, Larissa passava longe das quadras e era a aluna que matava as aulas de educação física, além de nunca ter conseguido passar dos temidos três meses na academia. Hoje, aos 38 anos, além de ter feito do esporte sua profissão, ela subiu ao pódio em todas as provas que disputou desde que começou a competir e já acumula 7 vitórias no Ironman.

Antes de se tornar atleta, porém, ela construiu carreira como professora de matemática e  psicopedagoga. Trabalhou como vendedora para pagar os estudos e, já formada pela UniBH, começou a dar aulas particulares para dezenas de alunos.

Como o esporte entrou em sua vida

Sua entrada no atletismo começou aos 27 anos, quando, ao se mudar para um prédio com uma piscina coberta, começou a sentir que estava perdendo dinheiro pagando o condomínio sem saber nadar. 

Assim, ela se matriculou nas aulas já no primeiro mês. Sem preparo nenhum, no primeiro dia ela não conseguiu atravessar nem os 20 metros da piscina, mas com o tempo pegou gosto e descobriu que o grupo da natação também pedalava e corria. 

Sem planejar, Larissa foi levada para o triathlon em um momento em que o esporte ainda não era tão difundido, especialmente entre as mulheres. “O triathlon que me escolheu, não fui eu que escolhi. Eu nunca nem tinha escutado falar e nem sabia que existia esse esporte, muito menos a palavra Ironman”, conta.

A dedicação à carreira de atleta

Por quatro anos, ela conciliou a rotina de professora com os treinos. Aos 30, percebeu que não conseguiria evoluir no esporte se não o colocasse como prioridade e despendesse tempo para melhorar sua técnica. Foi então que, de um dia para o outro, decidiu mudar de rumo. 

“Definitivamente larguei todos os meus alunos, todos, de um dia para o outro, e falei: ‘Eu vou escutar meu coração e vou investir nisso’. Isso sem nenhum centavo na poupança”, recorda. 

Com isso vieram os primeiros patrocínios e, cinco meses depois, ela se inscreveu em sua primeira competição, na qual terminou em terceiro lugar geral. “Tive o mesmo sentimento de passar no vestibular. Eu lembro desse sentimento e de pensar ‘Estou tão feliz fazendo isso, como que eu faço para viver disso?'”, relembra. 

Desde então, foram 14 provas de Ironman completo e quase 30 de meio Ironman. Ela venceu competições na Argentina, Chile, México e Flórida, além de conquistar o bicampeonato do Ironman Brasil em 2024 e 2025. 

O caminho até os pódios

Durante mais de quatro anos, ela sofreu com as regras de classificação para o Mundial, que na época limitavam as vagas a apenas uma por categoria. Mesmo sendo vice-campeã geral em quatro edições do Ironman, Larissa ficava de fora porque a vencedora pertencia à mesma faixa etária que a sua.

“Aí você pensa: eu, tendo sido vice-campeã geral da prova, não classificava para o Mundial, enquanto homens que ficaram em quadragésimo sétimo lugar às vezes iam” relembra. A persistência só foi recompensada em 2021, quando finalmente garantiu sua vaga. De lá para cá, participou de duas edições e consolidou-se como a 10ª melhor triatleta do mundo.

Trilhando seu caminho em um território historicamente masculino, Larissa também já foi sócia de uma corrida de rua em Belo Horizonte, que saltou de 1.200 para 9.000 inscritos e, durante a pandemia, fundou um clube multidisciplinar para viabilizar patrocínios a outros atletas.

Hoje, com 155 mil seguidores no Instagram, sua audiência está atraindo cada vez mais mulheres e ela usa sua voz para fazer com que elas ocupem esses espaços, compartilhando dicas de treino, orientações sobre questões hormonais e mostrando sua rotina. 

“O mais importante é a mulher descobrir que ela consegue ter outras habilidades. Que o esporte ensina a gente disciplina e que a nossa força está dentro de nós. O esporte nos liberta, ele entrega pra gente aquilo que a gente entrega pra ele”, conclui.