Desde a criação do César, principal premiação de cinema francês, em 1976, apenas duas mulheres venceram na categoria de “Melhor Direção”. Sua sub-representação, porém, vem mudando nos últimos anos e a 51ª cerimônia do evento contou com 43% de mulheres entre as indicadas, um recorde histórico, segundo um levantamento do coletivo 50/50.
A cerimônia do César ocorrerá na quinta-feira, 26 de fevereiro, em Paris, e, segundo o coletivo, a porcentagem de nomeações femininas aumentou dez pontos em comparação com o ano passado, com um aumento de 33% de mulheres selecionadas em 2025 para 43% em 2026.
Este ano, a paridade ou quase paridade (entre 40% e 60% de mulheres nomeadas) foi alcançada em dez categorias. Em 2025, oito dos prêmios apresentaram um número de nomeações inferior à proporção feminina na área. Já este ano, apenas três categorias: Curta-Metragem de Ficção, Animação e Figurino, foram afetadas por essa desigualdade.
A representação na premiação
Na edição de 2025, nenhuma mulher foi indicada ao prêmio de “Melhor Direção”, por mais que representem cerca de 26% dos profissionais da área e elas somam, no total, apenas 24% das indicações históricas da categoria.
Desde a criação do Prêmio, em 1976, apenas duas mulheres venceram a premiação: Tonie Marshall por “Instituto de Beleza Vênus”, em 2000, e, mais recentemente, Justine Triet por ” Anatomia de uma Queda”, em 2024. Neste ano, duas mulheres estão indicadas: Hafsia Herzi por “A Irmã Mais Nova” e Carine Tardieu por “O Apego”.
As desigualdades são ainda mais evidentes nas áreas técnicas, com sua completa ausência entre as indicações a Melhor Filme Estrangeiro e apenas 24% dos indicados nas categorias de “Melhor Som” e 20% em “Melhor Trilha Sonora Original” e “Melhores Efeitos Visuais”.
Por outro lado, segundo o levantamento, algumas categorias apresentaram avanços consistentes ao longo dos últimos anos. “Montagem”, “Documentário” e “Curta-Metragem de Ficção” registraram um aumento progressivo da sua presença, tanto nas indicações quanto nas premiações.
A composição dos votantes
O coletivo 50/50 também destaca que a composição do corpo votante influencia diretamente esses resultados. Atualmente, 45% dos membros da Academia do César são mulheres, enquanto elas representam cerca de 50% dos integrantes da associação que rege a Academia, o que ajuda a explicar parte da evolução observada nos últimos anos, ainda que não seja suficiente para garantir equilíbrio automático nas nomeações.
O estudo também chama atenção para o contraste entre a presença feminina nas indicações e sua sub-representação histórica entre os vencedores. Desde 1976, as mulheres nunca atingiram a paridade no número de prêmios recebidos, com percentuais que variam ao longo das décadas e que chegaram, no máximo, a 48% em 2023.