Com um time de cuidadoras 97% feminino, a Conviva transforma a educação especial

Com atuação em mais de 400 cidades, a instituição atende mais de 10 mil alunos da rede pública e contrata mulheres acima dos 50 anos para atuarem como cuidadoras

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Maíra Pizzo, sócia à frente da Conviva desde 2014 Foto: Divulgação

A inclusão de estudantes com deficiência tem ganhado cada vez mais força nas escolas, já somando mais de 3,4 milhões entre os alunos matriculados. Hoje, mais de 10 mil deles são assistidos de perto pela Conviva Serviços, instituição que atua fornecendo Profissionais de Apoio Escolar (PAE), conhecidos como cuidadores, para garantir que o acesso ao ensino seja, de fato, para todos.

À frente da empresa está Maíra Pizzo, diretora-presidente e sócia desde 2014. Fundada por seu pai há 32 anos, a Conviva começou a atuar no segmento de cuidadores em 2011, com menos de 10 profissionais inicialmente focados apenas em home care.

Hoje, ela atende mais de 10 mil estudantes em 2.221 escolas e está presente em 409 municípios do estado de São Paulo. O crescimento acelerado, segundo Maíra, reflete não apenas o aumento das necessidades, mas também uma conscientização maior da sociedade de que “qualquer ser humano tem o direito à educação”. 

Segundo o IBGE, nos últimos cinco anos, as matrículas da educação especial cresceram cerca de 66%, muito por conta do fortalecimento das políticas de inclusão por parte do Estado.

Como funciona a operação

A Conviva opera como uma prestadora de serviços via licitações, majoritariamente de escolas públicas, e tem como seus grandes parceiros as secretarias municipais e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. “Hoje nossa maior parte, na verdade, 99% é em escola pública”, pontua.

A operação cobre cerca de 70% do estado. Embora a capital concentre o maior volume devido à quantidade de pessoas, o atendimento se mantém descentralizado em várias cidade do estado. 

Na prática, as secretarias de educação identificam a necessidade dos alunos e repassam a demanda para a Conviva, que contrata, capacita e faz toda a gestão das cuidadoras dentro das escolas. 

Mulheres e inclusão no mercado

Com 7.500 colaboradores, 97% das cuidadoras são mulheres. A empresa se descobriu ao abrir as portas para mulheres acima de 50 anos, um público muitas vezes esquecido pelo mercado, mas que normalmente são as que mais possuem experiência com o cuidado.

“São as mulheres que já criaram ali seus filhos, que já têm mais paciência, têm mais resiliência. Não tem como a gente ignorar a habilidade da mulher em cuidar. Então, o que a gente faz aqui é valorizar isso”, explica. 

Assim, para Maíra, gera-se uma dupla inclusão: a do aluno na escola e a da mulher no mercado, oferecendo independência financeira e possibilidade de liderança, já que até o setor administrativo é majoritariamente feminino.

O impacto na vida dos alunos

O trabalho dessas mulheres vai muito além do auxílio com alimentação, higiene ou locomoção. Elas são o suporte para que o aluno conquiste autonomia e consiga, com o tempo, socializar e se comunicar.

Os resultados dessa assistência são vistos no dia a dia. “O cuidador é essencial na construção da inclusão. Ele contribui para a autonomia, a comunicação e a socialização do aluno”, resume.

Com o reconhecimento do autismo como deficiência, a demanda explodiu, e atualmente cerca de 80% dos alunos atendidos pela Conviva possuem algum grau do TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Além dos Profissionais de Apoio Escolar, a instituição já oferece intérpretes de libras e psicólogos, atuando desde as creches até o ensino superior em Institutos Federais. O compromisso é seguir acompanhando essa inserção no ensino de forma “digna, respeitosa e com qualidade”, como diz Maíra.