Corina Godoy Cunha e Gisele Violin encontraram na corrida de rua mais do que uma atividade em comum. Amigas de infância, transformaram a experiência esportiva em negócio ao desenvolver uma linha de dermocosméticos pensada para acompanhar o ritmo do corpo durante as atividades físicas. Há mais de dez anos, a marca Pink Cheeks chegou ao mercado.
Com a proposta de unir cuidado com a pele e bem-estar, a empresa conquistou projeção nacional e, no ano passado, foi a marca oficial de proteção solar da Maratona do Rio de Janeiro. Mas, antes de alcançar esse reconhecimento, Corina e Gisele precisaram apostar em uma ideia ainda pouco explorada no Brasil.
“Em 2014, não encontrávamos cosméticos com classificação esportiva. Tampouco se falava sobre eles, e a relação dos brasileiros com a corrida era bem diferente”, afirma Corina.
A falta de opções de produtos foi sentida na pele por elas. Durante os treinos, Gisele sofria com bolhas nos pés, enquanto Corina lidava com o surgimento de manchas provocadas por um melasma.
“Nós corríamos com outras amigas e conversávamos sobre assaduras, machucados e outros incômodos que afetavam todo o grupo, e isso se tornou um assunto frequente”, conta Gisele.
Farmacêutica e proprietária de uma farmácia de manipulação, Corina levou as queixas para o ambiente profissional e passou a pesquisar soluções que atendessem às necessidades das corredoras.
No laboratório, ela passou a buscar por fórmulas voltadas ao cuidado e à proteção da pele que fossem resistentes à atividade física. “O primeiro produto foi um protetor solar que não escorresse nos olhos e apresentasse maior resistência, já que treinamos em períodos de altas temperaturas”, afirma a farmacêutica.
Na mesma época, o irmão de Gisele se preparava para o Ironman, prova de triatlo de longa distância, o que impulsionou um estudo ainda mais detalhado dos dermocosméticos. “Foi então que começamos a pensar em produtos capazes de atender a um nível mais alto de performance”, completam.
O surgimento da marca
Os primeiros testes foram realizados pelas próprias amigas de treino, que também ajudaram a batizar o nome da marca. “Nosso apelido era ‘Pink Cheeks’, porque terminávamos as corridas com as bochechas avermelhadas”, explica Gisele.
Rapidamente, os efeitos dos produtos foram sentidos pelas corredoras, reforçando a eficácia das soluções desenvolvidas e a viabilidade de um possível negócio. “Elas gostaram tanto que queriam comprar e começaram a nos incentivar a vender”, contam.
Formada em administração de empresas, Gisele somou seu conhecimento ao de Corina e, juntas, projetaram levar as novas fórmulas para o mercado. A ideia inicial era comercializar os produtos na farmácia de manipulação, mas a estrutura se mostrou inviável.
“Uma farmácia de manipulação só pode vender produtos manipulados. Foi nesse momento que entendemos que era o momento de abrir uma empresa”, afirma Corina.
Com a decisão de produzir em maior escala, as amigas passaram a visitar indústrias na região de São Paulo. “Muitas dúvidas surgiram naquele momento, entre terceirizar a fabricação ou encontrar um modelo que respeitasse a essência dos produtos”, detalham.
O cenário, no entanto, contribuiu para a definição do modelo de negócio da marca. Foi dentro do laboratório que Corina e Gisele encontraram o apoio e também o incentivo para abertura oficial da empresa.
“A gente ouvia muito que era preciso dinheiro, muito trabalho e que o retorno demorava para chegar. Ainda assim, queríamos levar os produtos adiante, junto com outras mulheres que também acreditavam no mesmo sonho”, relembra Corina.
A farmacêutica adquiriu um galpão e, ao lado de Gisele, liderou uma equipe quase toda feminina para lançar a marca Pink Cheeks, que passou a produzir, além de protetores solares, outros cosméticos, incluindo maquiagem e produtos para o cabelo.
Do interior de São Paulo para o Brasil
Aos poucos, a empresa foi ganhando forma e notoriedade. Localizada em Leme, no interior de São Paulo, a marca passou a investir em gestão, logística e estratégias de divulgação, sem se distanciar da essência que motivou a sua criação.
“Não foi por mérito imediato, mas por um caminho gradativo, de entendimento do mercado e das próprias escolhas. Um reflexo de uma empresa que cresceu cercada por mulheres em todos os processos”, revelam.
O reconhecimento veio com o tempo e também em forma de premiação. A Pink Cheeks conquistou, por três anos consecutivos, o prêmio ‘ABIHPEC Beleza Brasil’, na categoria de melhor protetor solar, consolidando sua posição no mercado nacional.
“O que parecia impossível se tornou possível. Não era apenas uma avaliação técnica, mas um reconhecimento do conceito cosmético e sensorial do produto. Foi um momento muito importante para a marca e principalmente para nós”, finalizam.