Daiane Vanoni transforma minimercado de condomínio em uma rede com 650 unidades

CEO e fundadora da Fast4you, a executiva trocou uma carreira na área de logística por um negócio que mira 100 milhões de faturamento em 2025

Divulgação
Atualmente, cerca de 52% dos 480 franqueados que compõem a rede são formados por mulheres. Foto: Divulgação

A pandemia e o confinamento tinham acabado de se instaurar no Brasil quando Daiane Vanoni desceu o elevador do condomínio em que vive em Florianópolis com um pensamento insistente: “Imagine que legal se pudéssemos  descer e fazer o supermercado aqui embaixo”. Naquele momento, ela não sabia, mas estava plantando a semente da Fast4you, rede pioneira de minimercados autônomos no país com mais de 650 franquias e faturamento anual estimado em 100 milhões. 

Antes de se tornar CEO, Daiane já carregava mais de 20 anos de experiência como analista comercial e de logística, atuando em multinacionais como Walmart e Vonpar. Mas o caminho não foi simples. Os anos que passou na Natura, última empresa na qual trabalhou por nove anos como coordenadora do setor de logística e mais tarde de atendimento ao cliente, foram repletos de viagens, reuniões, aeroportos e o sentimento crescente de culpa materna. “Eu viajava muito e chegava em casa cansada do trabalho. E me cobrava como mulher para dar atenção e passar mais tempo com o meu filho”, relembra. 

Após conversar com seu marido, Cristiano Vanoni, Daiane decidiu sair do emprego e ir em busca por mais liberdade emocional, de tempo e de rotina. Em meio às incertezas da pandemia, começaram a observar os atrasos e dificuldades das entregas de supermercado. Foi aí que a ideia surgiu: e se existisse um mercado dentro do condomínio, sempre disponível, sem filas e sem depender de horário?

O nascimento da Fast4you 

Daiane e o marido resolveram então desenhar um modelo de negócio baseado em experiências de autoatendimento no exterior. Fecharam negócio com um condomínio de 112 apartamentos e instalaram a primeira loja com a promessa de que se não desse certo, sairiam em três meses. Seis meses depois, o negócio já contava com 14 unidades em operação.

O modelo era inédito e ela teve que aprender tudo: legislação condominial, contabilidade, compras, escalabilidade e atendimento digital. E, com a expansão, como o negócio não poderia operar em outros estados de forma centralizada, Daiane decidiu abrir franquias. 

A proposta era fornecer uma entrada de baixo investimento, retorno rápido e risco reduzido, baseada exatamente no que ela mesma buscou quando decidiu empreender. “Queria que outras pessoas, principalmente mulheres, tivessem a mesma oportunidade que eu tive. Algo que desse autonomia de horário e independência financeira”, diz.

Assim, a Fast4you se tornou a primeira microfranquia de mercados autônomos registrada na ABF (Associação Brasileira de Franchising). Hoje, são mais de 650 unidades com a abertura de uma franquia a cada 36 horas e com planos de expansão para fora do país.

Unidade da Fast4you. Crédito: Flickr/ Egom PR Agency

O crescimento do negócio 

Com uma  venda a cada seis segundos, a Fast4you planeja começar oficialmente sua internacionalização em 2026, com unidades na Flórida (EUA) e em Madri (Espanha). “Apesar do autoatendimento ser comum lá fora, o conceito de mercado dentro de condomínios ainda é novo”, afirma.

A cultura do autoatendimento no exterior ajuda, mas também existem desafios. Na Europa, por exemplo, muitos prédios são históricos e têm limitações estruturais. “Começamos por bairros novos e também por empresas. Nos Estados Unidos, eles têm condomínios enormes, mas mercados geralmente afastados, então para eles, o mercado dentro do prédio é uma novidade”, explica. 

No Brasil, a rede cresceu 383,8% em 2024 e, embora os condomínios sigam como carro-chefe, cerca de 30% das operações já estão em empresas, universidades, hospitais, academias e lojas de rua.

Antes da abertura de novas lojas, a empresa faz uma pesquisa de perfil do consumidor no local, se é composto por famílias com crianças, jovens universitários ou idosos, por exemplo, e adapta o mix de produtos conforme os hábitos e as necessidades, tornando o modelo mais flexível.

A primeira CEO mulher do segmento 

Em 2024, o negócio ficou entre as 20 maiores microfranquias no Brasil, segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising), com um crescimento de 383,8% no número de operações durante o ano, a maior expansão percentual do ranking.

A experiência prévia da Daiane em logística, também um ambiente majoritariamente masculino, foi essencial para abrir caminho para o setor de mercados autônomos, que, embora recente, é dominado majoritariamente por empresários homens. A CEO, além de ser a primeira, segue sendo a única mulher a ocupar esse cargo entre as grandes operações do setor.

Um levantamento realizado pela Shopee recentemente mostrou que, entre as vendedoras que têm filhos, 75% abriram seus negócios somente depois de se tornarem mães, assim como Daiane. De acordo com o estudo, a flexibilidade (29%) e a independência financeira (29%) são os principais motivos para a abertura. 

O dado ecoa o objetivo da empresária, que decidiu usar esse lugar para abrir novas portas. Atualmente, cerca de 52% dos 480 franqueados que compõem a rede são formados por mulheres, muitas delas com esse mesmo perfil e objetivos, incluindo a primeira franqueada.

“As mulheres que passam pelo que eu passei, que querem mais tempo, mais liberdade com a sua família e também terem algo próprio, se inspiram ao saber que tem uma história por trás de uma mulher que também nunca tinha empreendido”, comenta.