Desigualdade salarial tem maior redução em organizações com líderes mulheres

Estudo mostra que empresas com CEOs mulheres apresentam menores diferenças e atingem a paridade salarial mais cedo

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Empresas lideradas por mulheres têm previsão de eliminar a disparidade salarial quatro anos antes Foto: Envato

Organizações comandadas por uma CEO mulher registram menores desigualdades salariais de gênero do que aquelas lideradas por homens, segundo uma nova análise da Global 50/50, instituição dedicada à pesquisa sobre igualdade de gênero, publicada em novembro. O estudo revela que, em média, a diferença salarial por hora nesses ambientes é 4,3 pontos percentuais menor quando a liderança é feminina. 

Entre 45 organizações de saúde avaliadas, os dados mostram ainda que empresas lideradas por mulheres têm previsão de eliminar a disparidade salarial quatro anos antes das comandadas por homens. Nos casos em que uma mulher esteve no comando nos últimos oito anos, a estimativa é de que seja alcançada nove anos antes.

Esses números reforçam um padrão já percebido por especialistas de que, quando as mulheres lideram, as desigualdades estruturais tendem a ser enfrentadas com mais consistência. 

“Embora o progresso para eliminar a disparidade salarial entre homens e mulheres seja lento e desigual, essas descobertas oferecem evidências de que organizações com mulheres em cargos de liderança podem ser mais propensas a abordar as desigualdades salariais estruturais”, disse Lynsey Robinson, líder do setor de saúde da Global 50/50. 

A sub-representação das mulheres no comando

Apesar dos avanços demonstrados pelo estudo, a participação feminina na liderança segue muito limitada. Entre as 44 organizações que divulgaram seus dados de 2024-2025, apenas 16% tinham CEOs muleres. Essa desigualdade fica ainda mais evidente no cenário do Reino Unido, no qual em 2024, as mulheres ganharam 87 pence para cada libra recebida pelos homens. 

A diferença salarial mediana entre as organizações analisadas caiu de 15,2% em 2017 para 8,7% em 2024/25, mas cinco viram essa diferença aumentar desde 2017. Outro ponto examinado foi as disparidades raciais. Menos de um terço das empresas publica dados sobre e, entre as que o fazem, oito mostram vantagem salarial para funcionários brancos.

A disparidade também aparece no FTSE 100, principal índice da bolsa de valores de Londres, onde apenas 10 empresas são atualmente comandadas por mulheres, número que deve cair ainda mais com a saída anunciada de Emma Walmsley (GSK) e Liv Garfield (Severn Trent), a CEO com o mandato mais longo entre as líderes de primeiro escalão no Reino Unido.

Transparência salarial

A pesquisa reforça que para que haja uma mudança real é necessário a implementação de mecanismos de transparência robustos. Hoje, no Reino Unido, empresas com mais de 250 funcionários são obrigadas a divulgar estatísticas sobre diferenças salariais entre homens e mulheres desde 2017. 

Globalmente, porém, apenas 35 países contam com sistemas semelhantes de reporte salarial, o Brasil sendo um deles com o Relatório de Transparência Salarial, publicado anualmente pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) , o que dificulta medir e comparar desigualdades em escala internacional. 

Nesse sentido, políticas de trabalho flexíveis, revisão transparente de salários, licença parental compartilhada, comitês de igualdade e incentivo ao avanço de mulheres para cargos de liderança são citados como possibilidades para contornar a questão.