No quarto trimestre de 2025, o país atingiu um recorde de 10,4 milhões de mulheres à frente de seus próprios negócios. O salto representa um acréscimo de 2,9 milhões de empreendedoras desde o início da série histórica, em 2012. Dessas, 53% são as principais responsáveis financeiras do lar.
Apesar do crescimento em volume, sua participação estagnou em 34,3%. Enquanto 23,6% dos homens possuem um negócio no país, o índice entre as mulheres é de apenas 11,5%, menos da metade.
Os dados, extraídos da PNAD Contínua (IBGE) e analisados pelo Núcleo de Pesquisa e Gestão do Conhecimento do Sebrae Nacional, mostram que a jornada média das mulheres na empresa é de 34 horas semanais, contra 40 horas dos homens.
Essa diferença, longe de ser uma escolha por menos trabalho, é o reflexo da “economia do cuidado”, que retira das mulheres cerca de 17 horas por semana que poderiam ser dedicadas ao planejamento e expansão dos negócios.
Educação e remuneração
Segundo o estudo, as mulheres são significativamente mais instruídas, com cerca de 73,9% tendo completado o ensino médio ou superior, índice que cai para 55,9% entre os homens. Porém, ainda há uma barreira de raça. O acesso ao ensino superior é de 48,4% para brancas contra 24,8% entre as negras.
Essa realidade impacta diretamente na remuneração. Empreendedoras negras ganham, em média, R$ 2.090,16, um valor 46,1% menor que a média das que se autodeclaram brancas e 59,4% inferior ao rendimento de um homem branco.
O perfil delas também mudou drasticamente em uma década. Em 2012, a maioria dos chefes de domicílio eram os cônjuges, hoje, elas são 53,7% das responsáveis. Além disso, a motivação para abrir a empresa, em mais de 60% dos casos, vêm de uma necessidade imediata, como a busca por horários mais flexíveis após a maternidade.
Formalização e setores de atuação
Apesar dos desafios, há avanços na profissionalização. A formalização via CNPJ subiu para 37,2% em 2025, uma alta de 7,4 pontos percentuais desde 2015. No entanto, 87,8% ainda atuam por conta própria, sem funcionários.
Quanto aos nichos de atuação, as mulheres dominam o setor de serviços (57,6%), seguido pelo comércio (23,8%), em áreas que demandam um relacionamento direto e atendimento mais especializado.