Empreendedoras têm 20% menos inadimplência e maior estabilidade na gestão de negócios

Levantamento da Serasa Experian revela que empresas lideradas por mulheres mantêm finanças mais equilibradas e menor índice de restrições ativas

Empreendedoras têm 20% menos inadimplência e maior estabilidade na gestão de negócios

Empresas comandadas por mulheres apresentam melhor desempenho na gestão financeira. É o que mostra um levantamento da Serasa Experian, divulgado na segunda-feira, 10, em comemoração ao Dia do Empreendedorismo Feminino, que aponta negócios liderados por mulheres com 20% menos inadimplência.

O estudo integra a 5ª edição do Boletim Panorama PME, que analisou a base de 23 milhões de empresas ativas no país. A pesquisa avaliou indicadores de crédito, longevidade e perfil das empreendedoras.

Gestão mais cautelosa e menor índice de restrições

Segundo o relatório, 16% das empresas com sócias apresentam restrições financeiras, enquanto entre as lideradas por homens o índice é de 20%. A diferença, segundo a Serasa, reflete um comportamento de gestão mais cauteloso e uma cultura de controle de crédito mais estruturada entre as mulheres.

O Score PJ, que mede a probabilidade de uma empresa cumprir seus compromissos, reforça essa leitura. Quarenta e dois por cento dos empreendimentos femininos estão nas faixas intermediárias (400 a 600 pontos), contra 38% dos masculinos. Já nas faixas de maior risco, as mulheres também levam vantagem: 32% delas estão nesse grupo, contra 33% dos homens.

Longevidade e perfil dos empreendimentos 

As empresas fundadas por mulheres ainda são, em sua maioria, micro e pequenas: 58% têm até dez funcionários, e nove em cada dez faturam até R$300 mil anuais. Nas empresas com faturamento superior a R$1 milhão, a presença feminina cai para 2,6% e fica em 4,3% entre os homens. Mesmo assim, elas conseguem manter desempenho semelhante em longevidade e estabilidade.

O índice que mede a probabilidade de fechamento em 12 meses ficou praticamente empatado: 4,6 pontos para as empresas com sócias e 4,8 nas comandadas por homens. Entre os empreendimentos com baixo risco de encerramento, 6% são femininos e 8% masculinos. Já nas faixas de maior risco (níveis 1 a 3), a proporção é de 25% em ambos os grupos.

Segundo o levantamento, o equilíbrio é significativo, já que os negócios femininos tendem a ser mais recentes (em média 4 anos mais jovens) e concentrados em setores como comércio (48%) e indústria leve (23%), historicamente mais propensos a oscilações econômicas, enquanto os homens dominam setores mais estáveis como serviços especializados e construção civil.

Fonte: Serasa Experian

Desafios persistentes 

De acordo com o relatório, 46% das mulheres abriram seus negócios em busca de mais flexibilidade de tempo. A independência financeira, que liderava as motivações na primeira edição do estudo, realizada em 2022, aparece agora em segundo lugar (40%), seguida pela busca por renda complementar (24%) e pelo desejo de ganhar mais do que no emprego anterior (20%).

Mas a autonomia vem acompanhada de barreiras persistentes: sete em cada dez mulheres (71%) relatam dificuldade em conciliar as responsabilidades domésticas com a rotina de empreendedora. Além disso, 68% afirmam ter sofrido algum tipo de preconceito ao tentar se firmar como líderes em seus setores.

A falta de representatividade também pesa. Sessenta e cinco por cento das entrevistadas dizem sentir que precisam provar mais competência para serem levadas a sério como gestoras, e 57% apontam menor facilidade de se posicionar em ambientes tradicionalmente masculinos.