Os dados da primeira edição do Barômetro da Lusofonia, realizada pelo IPESPE (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) com mais de 5 mil entrevistados em oito países, que somam mais de 300 milhões de falantes de portugês, mostram que o Brasil é um dos países com menos mulheres no parlamento, mas a população se encontra entre as mais progressistas.
Com apenas 17,7% de mulheres no Parlamento, o país se encontra na penúltima posição no ranking, sendo superado, com folga, por Cabo Verde (44,4%), Moçambique (42,4%), e Timor-Leste (38,5%). Antes do Brasil ainda vêm Portugal e Angola, ambos com cerca de 36%, e São Tomé e Príncipe (20,0%). O país só ganha da Guiné-Bissau (14,9%).
Contudo, o estudo mostra que 55% dos brasileiros já notaram que as condições entre homens e mulheres são desiguais ou muito desiguais, ocupando a terceira posição no estudo, atrás apenas de Guiné-Bissau (76%) e Cabo Verde (62%).
Entre os países que menos percebem a disparidade estão Portugal (49%), São Tomé e Príncipe (44%) e Timor-Leste, onde apenas 43% dos entrevistados disseram que as condições são destoantes.
Percepção da população
Quanto à percepção da população, o Brasil se mostra como um ponto fora da curva de conservadorismo presente nos países analisados, sendo o segundo país que mais apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo (48%), perdendo apenas para Portugal (70%).
Depois de Cabo Verde (38%), esse apoio despenca para cerca de 10% em Angola e Moçambique e chega a 7% no Timor-Leste (7%) e 3% em São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.
A mesma abertura se vê quanto ao debate racial. Para 35% dos brasileiros a herança da escravidão ainda impacta fortemente a sociedade, a cultura (18%) e a política (17%), alem dos 12% que acreditam que ainda efeta todas as áreas.
Já em relação à imigração, o Brasil ocupa o meio da tabela, com 69% dos entrevistados se mostrando favoráveis, em contraste com apenas 48% da população de Portugal. Na África, São Tomé e Príncipe é o país com a percepção mais favorável (90%).