A Câmara dos Deputados debateu nesta quarta-feira, 11, a instalação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Em uma eleição marcada por tensões e tentativas de obstrução, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita presidente do colegiado, o que a parlamentar classificou como um momento de “reparação histórica” no Congresso Nacional.
A eleição de Hilton não ocorreu sem resistência. Em um cenário de chapa única, parlamentares da oposição tentaram barrar a posse da deputada utilizando o voto em branco. No primeiro turno, com quórum de 22 parlamentares, houve 12 votos em branco contra 10 favoráveis.
A confirmação da vitória veio apenas no segundo turno, quando a chapa, que conta ainda com Laura Carneiro (PSD-RJ), como 1° vice-presidente, e Adriana Accorsi (PT-GO) e Socorro Neri (PP-AC), obteve 11 votos favoráveis frente a 10 em branco.
O principal argumento dos opositores, vocalizado por deputadas como Clarice Tércio (PP-PE) e Chris Tonietto (PL-RJ), baseou-se no questionamento da legitimidade de sua posse devido ao número de abstenções.
“Como eu posso ser representada por uma pessoa que não entende o que eu passo?”, questionou a deputada Clerice.
O foco na pluralidade
Em seu discurso de posse, Erika Hilton rebateu as críticas e focou na urgência das pautas de proteção. Ela destacou que a gestão será voltada ao enfrentamento da “violência patriarcal e misógina” que vitima meninas e mulheres no Brasil, citando o combate ao discurso de ódio e aos conteúdos de grupos “red pill” na internet.
“Queira ou não queira, mulheres travestis e transexuais não serão abandonadas neste discussão e não me importa a vontade de quem quer que seja. Se antes esmagaram nossa dignidade, este tempo acabou. Nós chegamos para ficar e para fazer uma reparação histórica”, afirmou a deputada.
Hilton ressaltou que a comissão deve acolher todas as mulheres, sem exceção, priorizando a dignidade e a regulação de plataformas digitais para conter a misoginia.
Enquanto deputadas da ala conservadora questionavam sua representatividade, vozes como as de Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Lenir Assis (PT-PR) saíram em sua defesa. Lenir Assis chegou a classificar algumas das críticas desferidas no colegiado como “transfóbicas”, sugerindo o encaminhamento dos casos às esferas competentes.