Entre competições, treinos intensos e anos dedicados à Ginástica Aeróbica Esportiva, Flávia Cristofaro construiu uma trajetória no alto rendimento, representando o país como atleta da Seleção Brasileira. Hoje, a educadora física transforma essa experiência em um projeto digital voltado ao público feminino.
Idealizadora do Elah App, ela encontrou na tecnologia uma forma de ampliar o alcance do próprio trabalho. Personal trainer e instrutora de pilates, acompanhou de perto as mudanças provocadas pela pandemia da Covid-19, período em que muitos atendimentos migraram para o ambiente online.
“Assim como muitos educadores físicos, minha relação com os atendimentos online era mínima. A vivência sempre foi no presencial, e pensar em algo diferente parecia muito distante”, afirma.
Com a mudança de comportamento provocada pela pandemia, a ex-ginasta percebeu que poderia alcançar mais mulheres ao investir em treinos virtuais, em vez de ampliar apenas os atendimentos presenciais.
“Gerar mudança de vida sempre foi o meu maior objetivo. Ao longo dos anos ouvi muitas queixas de alunas, como a rotina intensa, o período hormonal e outros fatores que acabam interferindo na constância dos treinos”, explica.
A partir dessas percepções, Flávia começou a estruturar uma plataforma digital capaz de atender às necessidades desse público: mulheres com rotinas, corpos e objetivos diferentes. “Queria oferecer um acompanhamento de qualidade, com contato direto e uma troca real”, detalha.
Ao mesmo tempo, a ex-ginasta já conquistava espaço nas redes sociais, onde compartilhava a rotina de treinos e conteúdos relacionados à prática de atividade física.
Empreendedorismo digital
Natural de São Paulo, a educadora deixou a capital para viver no interior. Foi nesse período que passou a se dedicar integralmente ao desenvolvimento do aplicativo, reunindo a experiência acumulada no esporte de alto rendimento e nos anos de atendimento ao público.
“Me mudei em março de 2025 e, em novembro, lancei o app Elah, unindo tudo o que considero importante, incluindo uma sequência de exercícios que podem ser feitos em casa”, conta.
Na plataforma digital, a ex-ginasta disponibiliza treinos em aulas gravadas por ela, que podem ser acessadas pelas usuárias a qualquer hora do dia. “É um formato pensado para ser descomplicado, didático e simples. Eu explico cada movimento e faço junto com elas”, destaca.
Além dos exercícios funcionais, Flávia também montou uma sequência de treinos voltada para a academia, prática comum entre as mulheres que utilizam o Elah.
“Dentro do aplicativo há uma divisão por módulos, o que facilita na hora de a mulher escolher o treino que melhor se encaixa na sua rotina”, explica.
Os conteúdos podem ser acessados quantas vezes a usuária quiser ao longo do período de um ano. “Somos uma plataforma funcional, bem aceita por mulheres de diferentes idades, inclusive pelas mais velhas, porque é algo fácil de mexer”, diz.
Formando uma comunidade
A estrutura do aplicativo também acontece a partir da escuta das próprias usuárias. Segundo a empresária, o contato direto com as mulheres ajuda a aprimorar continuamente as funcionalidades e os conteúdos disponíveis na plataforma.
“Não somos apenas um aplicativo de treinos, formamos uma comunidade, com experiências reais e conversas diretas. O formato online apenas permite que mulheres de diferentes lugares possam se encontrar”, afirma.
Essa proximidade com as usuárias também influenciou o desenvolvimento de novos conteúdos dentro da plataforma. Um exemplo foi a criação de um módulo voltado a mulheres com diástase abdominal, o afastamento dos músculos do abdômen, popularmente conhecidos como “gominhos” da barriga.
“Acabou se tornando uma queixa frequente, algo que me fez parar e prestar atenção. Então convidei uma fisioterapeuta pélvica para participar e estruturar alguns exercícios”, detalha.
A ideia de Flávia é continuar ampliando a plataforma com a participação de diferentes profissionais, criando um espaço que cuide não apenas do corpo, mas também da mente. “Hoje, há pouco mais de quatro meses de uso, algumas mulheres já começaram a compartilhar relatos das suas mudanças de vida, o que me motiva a continuar e a melhorar ainda mais a nossa comunidade”, concluiu.