Um número recorde de mulheres deixou o mercado de trabalho nos Estados Unidos em 2025. Segundo uma nova pesquisa divulgada pela Catalyst na quinta-feira, 29, mais de 455 mil mulheres saíram de seus empregos entre janeiro e agosto do ano passado, sendo a principal motivação as dificuldades de conciliar o emprego com o cuidado familiar.
O levantamento indica que, embora parte dessas saídas esteja ligada a demissões (42%), a maioria ocorreu por decisão das próprias trabalhadoras (58%). Ainda assim, os dados mostram que essas decisões foram influenciadas por fatores como a ausência de políticas de apoio no ambiente corporativo, altos custos com creches e jornadas inflexíveis.
Entre aquelas que optaram por sair, 42% apontaram as responsabilidades de cuidado, incluindo o custo da creche, como o principal fator da decisão, seguido pela insatisfação com a remuneração, citada por quase 18% das entrevistadas.
O que fez com que elas saíssem
Dentre as entrevistadas, 37% das mulheres que deixaram seus empregos afirmaram atuar em empresas sem horários flexíveis, proporção significativamente maior do que as que permaneceram (22%).
A ausência de flexibilidade, segundo o estudo, dificulta a conciliação entre trabalho e responsabilidades familiares. Além disso, foram citados fatores como esgotamento profissional, incerteza econômica e preocupações com a segurança no emprego.
O estudo também aponta desigualdades raciais: mulheres de grupos raciais e étnicos marginalizados foram proporcionalmente mais afetadas por demissões, representando 53% contra 37% entre as mulheres brancas.
Recomendações para retenção de mulheres no trabalho
A Catalyst destaca que a perda de mulheres ocorre em um momento de redução da população economicamente ativa nos Estados Unidos e recomenda a ampliação da flexibilidade de horários, adoção de políticas que apoiem o cuidado familiar, como licenças, subsídios e creches corporativas, e a realização de auditorias salariais regulares para garantir maior igualdade e progressão profissional.
A pesquisa, realizada entre outubro e novembro de 2025 com mais de mil entrevistadas nos Estados Unidos, defende que medidas estruturais voltadas à conciliação entre trabalho e vida pessoal são essenciais para reverter a saída de mulheres do mercado.