O Fundo Malala anunciou um financiamento emergencial de US$ 300 mil para apoiar a educação e proteção de meninas nas regiões de Gaza, Sudão e República Democrática do Congo. O recurso, divulgado nessa quinta-feira, 8, será destinado a organizações locais que atuam diretamente nas comunidades afetadas por conflitos armados, deslocamentos forçados e violência extrema.
Segundo a organização, o objetivo é garantir que meninas continuem conectadas à aprendizagem mesmo em contextos onde frequentar a escola deixou de ser uma possibilidade segura, e, muitas vezes, passou a ser uma questão de sobrevivência.
O financiamento será dividido igualmente entre três parceiros: a Taawon, em Gaza, os Centros de Apoio a Mulheres, no Sudão, e a Fundação Panzi, na República Democrática do Congo. Cada organização receberá US$ 100 mil para manter programas educacionais, oferecer apoio psicossocial e criar espaços seguros para meninas e jovens.
Ao anunciar o financiamento, Malala reforçou que a educação continua sendo um direito inegociável, mesmo, e especialmente, em contextos de guerra. Ela também convocou governos, organismos internacionais e a sociedade civil a respeitarem o direito internacional e a protegerem crianças e adolescentes em zonas de conflito.
“Apelo aos governos para que demonstrem ao menos uma fração da coragem que as meninas mostram todos os dias e tomem medidas concretas para proteger o seu direito à educação”, afirmou Malala Yousafzai, cofundadora e presidente executiva do Fundo Malala.
Taawon, em Gaza
Com a destruição das escolas na região e o deslocamento constante de muitas das famílias da região, a Taawon atua na criação de Espaços Temporários de Aprendizagem para as crianças.
Além de educação não formal adaptada à realidade das comunidades locais, a organização oferece apoio à saúde mental e emocional, além de atividades interativas, alcançando cerca de 400 crianças atualmente.
Centros de Apoio a Mulheres, no Sudão
Segundo divulgado no comunicado da organização, no Sudão, a guerra civil em curso forçou o fechamento de milhares de escolas e deslocou milhões de famílias, o que aumentou o abandono escolar por parte das meninas.
Nesse cenário, o Fundo Malala irá apoiar iniciativas lideradas por mulheres locais, como as Salas de Resposta Feminina, que oferecem assistência e criam caminhos para que elas possam retornar às salas de aula.
Fundação Panzi, na República Democrática do Congo
Na República Democrática do Congo, em vista de combater a violência sexual, o Fundo Malala escolheu a Fundação Panzi como a terceira receptora. A iniciativa oferece cuidados durante a gravidez, o parto e o pós-parto, além de apoio psicológico e social às meninas do país.
Desde 2021, a Panzi auxiliou mais de 600 meninas a darem à luz de forma segura, além de trabalharem conectando as sobreviventes à escolarização e à formação profissional após o parto.
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