Grammy 2026: relatório indica que artistas mulheres representaram 23% dos premiados

O estudo mostra que elas perderam espaço na premiação deste ano, regredindo 14 pontos em relação à 2025, quando representaram 37% dos ganhadores

Richard Shotwell/Invision/AP
O estudo, que analisou 270 vitórias em 95 categorias, mostra que o desequilíbrio não é apenas uma percepção do público. Foto: Richard Shotwell/Invision/AP

O Grammy deste ano, apresentado no dia 1 de fevereiro, por mais que tenha dado espaço para artistas como Lady Gaga e Chappell Roan, sofreu uma queda drástica na representação feminina. Segundo novo relatório da consultoria AKAS, intitulado “As Vozes Ausentes das Mulheres no Grammy 2026”, a premiação interrompeu uma trajetória de crescimento que parecia promissora.

Após um 2025 histórico, no qual as mulheres conquistaram 37% dos prêmios, o índice despencou para apenas 23% na edição deste ano, com uma retração de 14 pontos percentuais. O estudo, que analisou 270 vitórias em 95 categorias, mostra que o desequilíbrio não é apenas uma percepção do público. 

Apenas 23% dos prêmios foram para mulheres em 2026. Já nas indicações, também houve uma queda de 28% (em 2025) para 24% (em 2026) em um cenário em que, nos últimos dez anos, para cada troféu ganho por uma mulher, foram entregues quatro para os homens.

O “teto de vidro” na música

O relatório também mostrou que nenhuma mulher venceu a categoria de Produtor do Ano (Não Clássico), desde sua criação, em 1951, com 52 anos consecutivos de vitórias masculinas, que neste ano foi para Cirkut sem nenhuma produtora entre os indicados.

Essa sub-representação em cargos técnicos, como engenharia de som, mixagem e masterização, é apontada como o principal gargalo. Apenas 6,5% das indicações para engenharia/mixagem foram femininas, e nenhuma mulher foi indicada como engenheiras de masterização nas categorias principais.

Entre as compositoras, apenas 20% das indicações nas categorias de “Álbum do Ano” e “Canção do Ano” foram para mulheres e somente 12% das indicações nas categorias principais envolveram produtoras mulheres.

Já nas “Big Four”, as quatro categorias de maior prestígio, embora o prêmio de “Melhor Artista Revelação” tenha apresentado maior equilíbrio, com 63% de indicações femininas, em “Álbum do Ano” as mulheres compuseram apenas 8% dos artistas. 

O cenário da indústria

Apesar do cenário desfavorável, a noite teve momentos de celebração. FKA twigs garantiu o prêmio de “Melhor Álbum Dance/Eletrônico” por “EUSEXUA”, superando nomes como Skrillex e Fred Again. Além disso, a colaboração de SZA com Kendrick Lamar em ‘Luther’ levou a estatueta de “Gravação do Ano”.

A noite também foi marcada pelas homenagens prestados por Lauryn Hill a Roberta Flack e D’Angelo, e pelo reconhecimento das trajetórias de Chaka Khan e Whitney Houston.