Um estudo recente, construído com base em dados de mais de 881 mil usuários da plataforma JobLeads nos Estados Unidos, mostra que, antes mesmo de enviar o currículo, as mulheres já possuem uma expectativa salarial, em média, 9,5% menor que as dos homens.
A ambição existe, mas esbarra em questões como a busca por maior flexibilidade e varia por setor. Em áreas como gestão e operações, as mulheres procuram empregos que pagam US$ 48.317 acima do seu teto salarial, superando os homens, que procuram por US$ 37.560 acima.
Porém, na área jurídica, na qual elas são maioria (62%), a disparidade é maior. A remuneração média é US$ 23.354 menor que a masculina, o que é uma diferença de quase 26%.
O processo de candidatura
Segundo a pesquisa, enquanto homens e mulheres clicam nos anúncios com a mesma frequência, 94% dos homens que olham uma vaga continuam na hora de se candidatar, mas apenas 81% das mulheres fazem o mesmo.
A diferença é ainda maior em setores nos quais elas são minoria, como TI e tecnologia, onde a taxa de candidaturas é quase 36% menor. Já em consultoria e engenharia, ela despenca para abaixo de 50%.
Mas esse cenário não se reflete em maior seletividade, já que na hora de seguirem no processo, as mulheres escolhem cargos que pagam, em média, US$ 12.667 a menos por ano, uma diferença de 15% na remuneração.
A realidade de negociação
O estudo também mostra que as mulheres são um terço menos propensas a negociar seus salários e apenas 32% negociaram nos últimos dois anos, contra 49% dos homens. Dessas, apenas 42% conseguiram o que pediram, contra 55% dos homens.
Um dos pontos citados para a diferença de remuneração foi o “imposto da flexibilidade”. Elas procuram vagas de meio período com uma frequência 55% maior (23% contra 15%). Já quanto ao trabalho remoto, 37% das mulheres buscam esse tipo de vaga, contra 30,5% dos homens, mas mesmo assim eles ganham 10,6% a mais nessa modalidade.
Segundo o levantamento, o resultado perpassa a “penalização da maternidade”, na qual mães em tempo integral ganham 35% menos que os pais. Enquanto para os homens, o cenário é inverso, com pais em tempo integral recebendo 25% a mais.
O cenário atual
Segundo o Pew Research Center, citado pelo estudo, em 1982, elas ganhavam 65 centavos para cada dólar recebido por eles, disparidade que ainda persiste em menor nível. Em 2024, a média geral chegou a 85%, o que recuou para 83 centavos em 2025. Com isso, no ritmo atual, a igualdade plena só viria em 2088.
Para o estudo, algumas medidas que podem modificar esse cenário são a implementação de medidas de transparência salarial para igualar as expectativas, garantir abertura para negociações e aumentar a valorização de habilidades interpessoais.