Jogo criado por pesquisadoras mostra impacto do cuidado invisível nas mulheres

O tabuleiro expõe o aumento das dificuldades de inserção nos espaços públicos com o acréscimo de fatores como raça, classe social e gênero

© jogodocuidado.com.br/Reprodução
No jogo, as cédulas se dividem entre o capital econômico e o capital do cuidado e vence quem acumula mais afeto, tempo e dedicação. Foto: © jogodocuidado.com.br/Reprodução

Pesquisadoras da UFF (Universidade Federal Fluminense), sob o comando da professora Rossana Brandão Tavares, da Escola de Arquitetura e Urbanismo, transformaram em jogo o trabalho de cuidado, ilustrando como as mulheres perdem o direito a usufruir dos espaços públicos. 

Motivadas pela discussão levantada por uma redação do Enem sobre a invisibilidade do cuidado, as jovens Beatriz Corbacho e Mariana Pio sentiram a necessidade de criar uma ferramenta capaz de ilustrar os impactos de fatores como renda, raça e gênero no cotidiano.

O resultado foi o Jogo do Cuidado – Um Jogo sobre o Direito à Cidade das Mulheres, no qual o tabuleiro é a própria Zona Portuária do Rio de Janeiro, com seus dez bairros, divididos de acordo com a realidade econômica.

Como funciona

Ao assumir personagens de diferentes classes e origens, os jogadores enfrentam desafios como ônibus atrasados, creches distantes e jornadas duplas dependendo da realidade social de cada um.

No jogo, as cédulas se dividem entre o capital econômico e o capital do cuidado e vence quem acumula mais afeto, tempo e dedicação. Os personagens, em seus diferentes contextos, servem para mostrar como as pessoas lidam com o mesmo espaço e realidade social de formas diferentes.

Além do tabuleiro, o conteúdo inclui um manual com orientações e sugestões de discussão para uso em sala de aula, atuando como material de apoio pedagógico para alunos do ensino médio. Devido a repercussão positiva, as pesquisadores decidiram disponibilizar o material para impressão de forma gratuita através do site.