Lethicia Bronstein consolida marca autoral e analisa os desafios da moda brasileira

Após mais de 20 anos no mercado, estilista discute identidade, empreendedorismo e os impasses do setor no Brasil

Foto Léo Monteiro
Foto: Foto Léo Monteiro

Reconhecida por peças que marcaram novelas e red carpets, Lethicia Bronstein construiu, ao longo de mais de 20 anos, uma marca associada a momentos simbólicos da vida de suas clientes. À frente de um ateliê que leva seu nome, a estilista se consolidou a partir de uma combinação entre visão autoral, leitura de mercado e proximidade com o público. No novo episódio do IstoÉ Mulher + Fructus Entrevista, ela reflete sobre os caminhos que a levaram da formação em moda ao posicionamento atual da marca, além dos desafios de empreender no Brasil.

Vinda de uma família com histórico no setor, Lethicia decidiu estudar formalmente a área em um momento em que muitos profissionais ainda ingressavam no mercado apenas pelo talento ou prática. “Se quero trabalhar com moda, então quero estudar moda”, afirma, ao lembrar que iniciou a carreira trabalhando desde o primeiro dia de faculdade. Antes de abrir a própria marca, passou por diferentes empresas e acumulou experiência técnica e comercial. Quando decidiu empreender, fez o movimento de forma gradual: manteve o trabalho fixo enquanto atendia clientes aos finais de semana, estruturando portfólio e consolidando uma base antes da inauguração oficial. “Quando abri a marca, já tinha 50 clientes que já tinha atendido”, diz.

O segmento bridal (noivas) surgiu como meta desde cedo, inspirado pela ideia de vestir mulheres em ocasiões especiais. Lethicia identificou um espaço no mercado brasileiro para uma moda de noiva conectada à linguagem contemporânea, diferente do modelo tradicional de cópia ou reprodução de referências estrangeiras. Ao lado dos vestidos sob medida, os modelos de festa ganharam força, impulsionados pela presença nas novelas e pela relação com stylists e figurinistas. A circulação das peças na televisão ampliou a visibilidade da marca e aproximou a estilista das atrizes também fora da ficção. Segundo ela, foi um momento de construção coletiva: marcas, profissionais de styling e celebridades compreenderam a importância estratégica da imagem no mercado publicitário e passaram a trabalhar de forma mais integrada.

A expansão para a moda casual ocorreu em fases, inicialmente por meio de colaborações e coleções cápsula. Durante a pandemia, o segmento ganhou mais espaço, mas depois foi reposicionado dentro da estrutura da marca. Para Lethicia, o maior desafio atual está na comunicação e na velocidade das mudanças digitais. “Você quer contar uma super novidade hoje? É muito difícil”, comenta, ao mencionar a influência do algoritmo e a dificuldade de competir com grandes grupos.

Ao longo da conversa, a estilista também questiona o papel contemporâneo da moda. Para ela, há um risco quando a roupa se torna instrumento exclusivo de validação social. “Acho que as pessoas estão querendo se provar pela moda. Isso é muito perigoso”, afirma. Ao mesmo tempo, defende que o consumo pode ser mais consciente e informado, com maior valorização da história por trás das marcas e dos profissionais envolvidos no processo criativo. Confira o papo completo abaixo: