A AngelUs, equity tech focada na aceleração de mulheres, reuniu mais de 90 executivas e investidoras em São Paulo para o painel “Perspectivas 2026”. O encontro, realizado na última terça-feira, 3, promoveu um debate sobre como decisões estratégicas são determinantes para acelerar a ascensão feminina nas organizações.
Se a igualdade de gênero fosse plenamente atingida, o PIB global poderia ganhar US$ 12 trilhões. O dado, que evidencia o impacto econômico das mulheres no mercado, serviu de pano de fundo para a discussão do evento, que ocorreu sob a mediação de Claudia Colaferro (fundadora da AngelUs) e Nora Mirazon Machado (sócia).
Para os conferencistas, a vantagem competitiva das empresas hoje em dia reside em líderes com capacidade de leitura de contexto e de tomar decisões humanizadas sob pressão. “A liderança não se constrói sozinha; ela se constrói em rede e em ambientes de confiança”, pontuou Claudia, destacando que o avanço ainda enfrenta o peso invisível do trabalho doméstico e mandatos sociais obsoletos.
Cotas e referências femininas em discussão
Lorice Scalise, da Roche Farma Brasil, abordou a questão da meritocracia em sua fala, citando a importância de cotas para a inserção de profissionais no mercado e sobre a necessidade de políticas que distribuam as responsabilidades de forma mais justa, como a transição da licença-maternidade para a licença parental.
A ideia de que a trajetória feminina deve ser linear também foi questionada. Adriana Leite (Colgate-Palmolive) relembrou que o sucesso profissional muitas vezes convive com a instabilidade e que segurar a ansiedade diante da imprevisibilidade é parte do trabalho.
A construção de um ambiente de confiança também foi apontado como essencial para que mulheres ascendam para cargos de decisão. “Quando vemos outra mulher rebatendo interrupções e contornando outros problemas, nos empoderamos e vemos que podemos fazer também”, pontuou Joana Adissi (Boehringer Ingelheim Saúde Animal).
Esse movimento também foi abordado por Andrea Sambati, que mencionou que, em sua organização, a presença feminina em cargos de liderança saltou de 34% para 54% e que ninguém está “100% pronta”, mas que a abertura para trocas são os combustíveis para o crescimento profissional.