Michelle Bachelet recebe apoio de Lula para a candidatura à ONU

Ex-presidente do Chile é indicada pelo Brasil, Chile e México para disputar a Secretaria-Geral das Nações Unidas

Ricardo Stuckert/Planalto
Michelle Bachelet foi a primeira mulher a presidir o Chile, cargo que ocupou por dois mandatos. Foto: Ricardo Stuckert/Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira, 2, o apoio oficial do Brasil à candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da ONU (Organização das Nações Unidas). 

A indicação foi oficializada de forma conjunta pelos governos do Brasil, Chile e México, para suceder António Guterres, que encerra seu mandato no fim de 2026. Caso seja eleita, Michelle Bachelet se tornará a primeira mulher a ocupar o posto máximo da Organização das Nações Unidas desde sua criação, em 1945.

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que, após oito décadas de existência, é hora de a organização “finalmente” ser comandada por uma mulher. O presidente ainda destacou o currículo de Michelle e sua liderança e compromisso com o multilateralismo, importante em um cenário global marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos.

Trajetória na política

Michelle Bachelet foi a primeira mulher a presidir o Chile, cargo que ocupou por dois mandatos, entre 2006 e 2010 e novamente entre 2014 e 2018. Ao longo de sua carreira, ela também foi a primeira mulher a ocupar a posição de ministra da Defesa e ministra da Saúde.

Nas Nações Unidas, Bachelet atuou mais fortemente na agenda de igualdade de gênero. Entre 2010 e 2013, ela foi a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres e, mais recentemente, entre 2018 e 2022, ocupou o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

“No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, escreveu Lula.

Como se deu sua candidatura 

A candidatura foi oficializada pelo presidente do Chile, Gabriel Boric, que destacou o apoio do Brasil e do México como um movimento conjunto das maiores economias da América Latina. 

“Essa candidatura expressa uma esperança compartilhada de que a América Latina e o Caribe façam sua voz ser ouvida na construção de soluções coletivas para os tremendos desafios de nosso tempo”, afirmou Boric.

Ao anunciar o apoio, Lula também reforçou sua defesa por uma reforma no sistema de governo internacional, especialmente no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU diante de conflitos recentes, como os da Ucrânia e da Faixa de Gaza.