Morre Sonia Pressman Fuentes, defensora dos direitos das mulheres, aos 97 anos

Fundadora da NOW e primeira advogada da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego, ela atuou com a implementação de leis trabalhistas às americanas

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De origem judia, ela desembarcou nos Estados Unidos em 1934. Foto: Wikimedia Commons

Sonia Pressman Fuentes, importante advogada americana na luta pela igualdade, faleceu aos 97 anos, no dia 20 de dezembro, em Sarasota, na Flórida. A notícia foi confirmada por sua amiga, Nancy Gold, embora a causa oficial da morte não tenha sido divulgada. 

Nascida em Berlim, em 30 de maio de 1928, Sonia era a caçula de Zysia e Hinda Leah Pressman. De origem judia, sua família fugiu da perseguição nazista, passando pela Bélgica antes de desembarcar nos Estados Unidos em 1934. 

Formou-se na Universidade Cornell em 1950, mas, após passar por empregos como secretária, decidiu cursar Direito na Universidade de Miami, onde se formou em 1957.  Ao buscar vagas em escritórios particulares, ouviu recusas que iam desde a falta de banheiros femininos até o receio de que ela ganhasse mais que os homens ou que engravidasse.

Em uma dessas ocasiões, em Washington, sua pretensão salarial de US$ 10 mil foi negada porque o escritório teria que “impor uma regra contra palavrões” no ambiente.

A criação da NOW

Em 1965, Sonia se tornou a primeira advogada da recém-criada EEOC (Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego). Ali, percebeu que o Título VII da Lei dos Direitos Civis, que proibia a discriminação, estava sendo ignorado quando o assunto era gênero.

Foi nesse cenário em que se deu a fundação da NOW (Organização Nacional para as Mulheres), quando Sonia sugeriu à autora Betty Friedan a necessidade de um grupo de pressão que lutasse especificamente pelas mulheres. 

Em junho de 1966, o grupo começou a ganhar forma com a contribuição de 28 pessoas e, em outubro do mesmo ano, Sonia tornou-se oficialmente membro fundadora.

Conquistas que mudaram o mercado

Ela também foi responsável por redigir a decisão governamental que tornou ilegal a prática das companhias aéreas de demitir comissárias de bordo que se casassem ou completassem 30 anos. Além da NOW, ela foi co-fundadora em 1968 da Federally Employed Women e da Women’s Equity Action League.

Após passar pelo Departamento de Justiça e pelo Conselho Nacional de Relações Trabalhistas, Sonia também atuou no setor corporativo. Foi executiva em empresas como a GTE e a TRW, atuando como diretora de gestão de conformidade e ações afirmativas. 

Após alguns anos, ela retornou ao serviço público, no Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano, onde se aposentou em 1983.