A 83ª edição do Globo de Ouro, realizada no último domingo, 11, colocou as mulheres no centro do palco. Ao longo da cerimônia, produções lideradas por elas, com personagens complexas e narrativas centradas em experiências femininas disputaram, e conquistaram, os principais prêmios da noite. Ainda assim, os números fora do palco indicam que o avanço segue marcado por entraves.
A apresentação da cerimônia ficou com Nikki Glaser, uma das principais vozes do stand-up contemporâneo, e entre os destaques da noite esteve Amy Poehler, vencedora do prêmio inaugural de Melhor Podcast por Good Hang with Amy Poehler. A categoria também reuniu nomes como Alex Cooper (Call Her Daddy) e Mel Robbins (The Mel Robbins Podcast).
Na televisão, produções lideradas por mulheres também dominaram as categorias centrais. Dying For Sex, da FX, e All Her Fault concorreram a Melhor Minissérie ou Série Antológica, enquanto atuações premiadas como as de Jean Smart (Hacks), Michelle Williams (Morrendo por Sexo) e Rhea Seehorn (Pluribus), reforçaram a força de personagens femininas maduras, complexas e longe de estereótipos.
No cinema, filmes como Uma Batalha Após a Outra, Hamnet e Wicked: Parte 2 trouxeram mulheres no centro das narrativas e das disputas. Teyana Taylor venceu como Melhor Atriz Coadjuvante por “Uma Batalha Após a Outra”, enquanto Jessie Buckley levou o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama por “Hamnet”. Já ‘Wicked: Parte 2′ dominou categorias técnicas e de bilheteria, com Ariana Grande e Cynthia Erivo entre as indicações.
O Globo de Ouro 2026 também foi marcado por homenagens importantes. Sarah Jessica Parker e Helen Mirren receberam, respectivamente, o Prêmio Carol Burnett e o Prêmio Cecil B. DeMille, reconhecendo sua importância na indústria audiovisual.
Mas esse avanço é suficiente?
Apesar do protagonismo no palco, os dados de bastidores seguem revelando barreiras. Em 2026, apenas uma mulher foi indicada à categoria de Melhor Direção: Chloé Zhao, por Hamnet, que acabou levando também o prêmio de Melhor Filme de Drama.
O dado contrasta com 2024, quando as mulheres representaram cerca de um terço das indicadas na categoria, com Coralie Fargeat, por A Substância, e Payal Kapadia, por Tudo que Imaginamos como Luz.
Desde a criação do Globo de Ouro, em 1944, apenas 14 mulheres foram indicadas à disputa por Melhor Direção. Entre elas, somente três conquistaram o prêmio. A primeira vitória aconteceu em 1983, quase quatro décadas depois, quando Barbra Streisand foi consagrada por Yentl. A segunda veio após 37 anos, em 2020, com Chloé Zhao, vencedora por Nomadland. Jane Campion foi a última a levar o troféu, em 2021, por Ataque dos Cães.
Segundo o relatório anual da Annenberg Inclusion Initiative, da Universidade do Sul da Califórnia, apenas nove mulheres dirigiram os 100 filmes de maior bilheteria de 2025, o equivalente a 8,1% do total de diretores. O índice representa uma queda em relação a 2024 e é o mais baixo desde 2018.
De acordo com o relatório, o recuo evidencia que os avanços conquistados nos últimos anos ainda são frágeis e muito dependentes de decisões executivas tomadas nos altos escalões da indústria, por mais que séries que apostam em narrativas com maior pluralidade continuem obtendo melhor desempenho com ao público.