Mulheres lideram a adoção da IA no trabalho e sentem menos ansiedade com a tecnologia

Novo levantamento com empresas chinesas mostra que profissionais usam IA com mais frequência e as mulheres estão mais abertas e otimistas com sua incorporação

Envato
67% dos entrevistados acreditam que podem perder seus empregos nos próximos cinco anos. Foto: Envato

À medida que a inteligência artificial passa a fazer parte da rotina de escritórios e empresas, um novo levantamento da CKGSB (Cheung Kong Graduate School of Business), na China, mostra que as mulheres estão à frente desse processo. Além de utilizarem ferramentas de IA com mais frequência do que os homens, elas também apresentam menos ansiedade com as mudanças trazidas pela tecnologia.

A pesquisa ouviu cerca de 11,8 mil profissionais de diferentes setores e mostra que 91,36% dos entrevistados trabalham em empresas que já implementaram algum tipo de tecnologia e 95,82% afirmam já ter experimentado essas ferramentas.

Mesmo com a rápida adoção, o estudo mostra que a preocupação ainda é generalizada: cerca de 85% dos entrevistados expressaram algum nível de receio em relação aos impactos da IA, e 67% acreditam que podem perder seus empregos nos próximos cinco anos.

Quando analisa-se o recorte de gênero, os níveis de ansiedade aparecem ligeiramente menores entre as mulheres. Segundo o levantamento, 70,8% delas relatam preocupação com a substituição pela IA, contra 73,5% dos homens. 

Segundo a pesquisa, quanto maior o contato com a tecnologia, menor tende a ser o medo. Mulheres com maior escolaridade e mais experiência profissional lideram esse movimento, incorporando a IA no dia a dia de trabalho.

A percepção dos entrevistados sobre a IA

Entre os entrevistados, 61% acreditam que a inteligência artificial melhora a eficiência no trabalho, enquanto 18% tem a percepção contrária, de redução da produtividade. Ao mesmo tempo que 74% acreditam que a IA irá criar novos empregos, 78% demonstram receio de que ela reduza as oportunidades de trabalho para a próxima geração.

Os dados também revelam uma relação entre o medo da substituição pela IA e a piora da saúde mental. Entre os entrevistados que demonstraram menor preocupação com o impacto da tecnologia, apenas 20% relataram níveis elevados de estresse. Já entre aqueles com maior preocupação, esse percentual sobe para 35%.

A mesma tendência aparece nos índices de ansiedade. Enquanto 20% dos profissionais menos preocupados relataram ansiedade grave, o número salta para 41% entre os que se preocupam com sua substituição pela IA.

Em relação à depressão, 16% dos indivíduos que não demonstraram preocupação significativa apresentaram sintomas graves, contra 34% entre os com receio. A solidão severa também segue o mesmo padrão, com 14% e 27% , respectivamente.

O papel dos líderes

A pesquisa chama atenção ainda para um grupo específico: os executivos. A ansiedade relacionada à IA entre as lideranças vem ganhando destaque, sendo significativamente maior do que a dos funcionários em geral. 

A proporção de executivos que acreditam que poderão ser completamente substituídos pela IA nos próximos cinco anos é cerca de 20% maior do que entre os outros profissionais e apresentam piores indicadores de saúde mental, considerando índices de solidão, burnout, ansiedade e depressão.