Um levantamento recente do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) aponta que as mulheres estão entre os grupos mais expostos aos efeitos da inteligência artificial generativa no mercado de trabalho. Segundo o estudo, cerca de 35,4% das trabalhadoras ocupadas exercem funções com algum grau de exposição à IA, em um cenário que já atinge quase um terço da força de trabalho do país.
Os dados, divulgados pelo site “Valor Econômico”, indicam que, no terceiro trimestre de 2025, aproximadamente 29,8 milhões de pessoas estavam em ocupações impactadas pela tecnologia, o equivalente a 30% da população, conforme a Pnad Contínua do IBGE. Desse total, pouco mais de 5 milhões se encontram no nível máximo de exposição, quando a substituição do trabalho humano é considerada mais provável.
Escolaridade e juventude aumentam a exposição
A pesquisa aponta que a maior presença das mulheres, em comparação com os homens (25,2%), entre os postos mais expostos está associada, em parte, ao perfil educacional. O grau de exposição à IA cresce conforme aumenta o nível de escolaridade, saltando de 10,2% entre pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto para 42,7% entre aquelas com ensino superior completo.
Além disso, a exposição é mais intensa entre os trabalhadores mais jovens. Pessoas de 14 a 29 anos concentram os maiores índices (35,9%), enquanto as faixas etárias mais altas apresentam percentuais menores, com 30,1% entre 30 e 44 anos, 24,5% entre 45 e 59 e 25,7% entre os trabalhadores com mais de 60 anos.
Esse recorte ajuda a explicar por que mulheres e jovens aparecem de forma mais significativa nos grupos mais afetados. Segundo dados do Censo 2022, entre as mulheres com 25 anos ou mais, 20,7% possuíam nível superior completo, contra 15,8% dos homens da mesma faixa etária.
Os setores e regiões mais afetados
Outro fator relevante é o setor de atuação. As ocupações ligadas aos serviços apresentam os maiores níveis de exposição à inteligência artificial, com destaque para as áreas de informação, comunicação e serviços financeiros. Neste último caso, mais de 90% dos postos analisados têm algum grau de contato com a tecnologia.
O Sudeste lidera os índices de exposição (32%), seguido por Nordeste (26,7%) e Norte (25,3%), que registram percentuais mais baixos. Segundo o estudo, essas diferenças refletem as desigualdades de desenvolvimento econômico e concentração de atividades mais intensivas em tecnologia. Nesse caso, o setor agropecuário é o que apresenta menos risco de exposição, de apenas 1,5%.
A análise mostra que a exposição à IA não é homogênea. Em alguns casos, a tecnologia pode atuar de forma complementar, ampliando a produtividade e os rendimentos. Em outros, porém, há risco de substituição do trabalho humano, especialmente em atividades baseadas em tarefas analíticas repetitivas e de processamento de informações.