Mulheres lideram recorde de denúncias contra abusos no ambiente corporativo

Pesquisa revela que canais internos atingiram volume histórico em 2025 e setores como saúde e mineração registram as maiores taxas de relatos sobre assédio e discriminação

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No ano passado, elas foram autoras de 53,6% dos relatos corporativos. Foto: Freepik

Em 2025, o uso de canais de denúncia nas corporações atingiu um patamar recorde: a média foi de 9,8 registros mensais para cada mil profissionais, um crescimento expressivo de 165% desde 2017. Os dados são da nova “Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias”, realizada pela Be.Aliant, divulgada nesta terça-feira, 10.

A pesquisa aponta que esse aumento não reflete necessariamente um aumento nos casos, mas sim uma mudança cultural com a queda da naturalização de práticas abusivas. Os colaboradores, principalmente mulheres, estão mais conscientes de seus direitos e as empresas, por sua vez, mais atentas ao risco reputacional.

Desde 2023, as mulheres se tornaram a maioria entre os denunciantes. No ano passado, elas foram autoras de 53,6% dos relatos corporativos. Do outro lado da linha, os perfis mais denunciados continuam sendo os de líderes e gestores, alvos de 59,8% dos casos. 

O recorte de denúncias

Houve um aumento nos casos considerados de impacto “alto” e “crítico”, que agora representam 11,9% das ocorrências. No topo da lista de queixas estão crimes e violações graves, como assédio moral e sexual, discriminação, agressão física e fraudes.

Enquanto as denúncias gerais cresceram 118,6% nos últimos cinco anos, os relatos de assédio sexual dispararam 387,6% no mesmo período e, para 61,5% dos denunciantes, o anonimato ainda é o fator decisivo para levar uma queixa adiante

O volume de denúncias varia drasticamente conforme o segmento. Entre os setores que superam a média nacional de denúncias estão os de serviços médicos (16,5), mineração (16,1), comércio varejista (15,2) e serviços financeiros (14,7), 

Segundo a Be.Aliant, 62,4% das queixas procedentes resultaram em medidas educativas e preventivas. No entanto, em casos graves, 18,9% das denúncias levaram a demissões, com ou sem justa causa, e a rescisões contratuais.