Mulheres nordestinas e com menor escolaridade são as mais afetadas com o desemprego

Embora o Brasil tenha fechado o 4º trimestre com desemprego em queda, o IBGE mostra que o caminho é mais íngreme quando analisa-se gênero, idade e onde se vive

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Historicamente, o Nordeste enfrenta os maiores desafios, mantendo a maior taxa de desocupação do país (7,1%), Foto: Envato

O Brasil encerrou 2025 com uma taxa de desocupação de 5,1% no quarto trimestre, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O recuo de 0,5% em relação ao período anterior é um sinal positivo para a economia, mas, quando analisa-se os dados, a realidade do mercado não é a mesma para todos, com a região, idade e gênero ainda sendo relevantes.

Historicamente, o Nordeste enfrenta os maiores desafios, mantendo a maior taxa de desocupação do país (7,1%), enquanto o Sul apresenta apenas 3,1%. Mas ainda há uma grande diferença quanto a desigualdade de gênero.

No cenário nacional, 6,2% das mulheres estão desempregadas, contra 4,2% dos homens. No entanto, essa distância se expande no Nordeste, onde o desemprego feminino atinge 8,8%, enquanto o masculino é de 5,9%. 

No Norte, o padrão se repete: elas sofrem com uma taxa de 7,8%, quase o dobro dos 4,4% entre os homens. Mesmo nas regiões mais equilibradas, como o Sudeste (5,9% para mulheres e 3,9% para os homens), Sul (3,6% e 2,7%) e Centro-Oeste (4,4% a 3,4%), a conta nunca fecha com igualdade. 

Idade e educação ainda fazem diferença

Para os mais jovens, o cenário muda de região. No Sudeste, entre os jovens de 14 a 17 anos, quase 23% deles estão fora do mercado. A taxa do Nordeste foi de 21,7% e chegou a 20,8% na Região Centro Oeste. As menores taxas estão na região Sul (15,8%) e Norte (12,2%). A taxa geral no Brasil ficou em 19,9%.

Já na faixa dos 18 aos 24 anos, o Nordeste volta ao topo das estatísticas, com 16,7% de jovens desocupados. A região também está à frente nas faixas de 25 a 39 anos, de 40 a 59 anos e acima dos 60.

A pesquisa também mostra que a qualificação é o divisor de águas. Quem não concluiu o ensino médio enfrenta a maior taxa de desemprego (8,7%), taxa que reduz drasticamente entre os concluintes, baixando para apenas 2,7%.

O  mesmo cenário se repete entre o grupo com nível superior incompleto, que obteve uma taxa de 5,6%, mais que o dobro entre os que possuem nível superior completo, que foi de 2,7%.