Mulheres ocupam apenas 12,8% dos cargos de CFO no Brasil

Mapeamento mostra que a disparidade de gênero persiste nos cargos de alto escalão do setor financeiro e o mercado passa a exigir o domínio de tecnologias

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55% dos entrevistados citaram a necessidade de dominar tecnologias como IA. Foto: Envato

Segundo um estudo inédito do Evermonte Institute, braço de inteligência da consultoria Evermonte Executive & Board Search, a cadeira de CFO (Chief Financial Officer) permanece majoritariamente masculina: os homens detêm 87,2% desses postos, deixando apenas 12,8% dos cargos para as mulheres.

O levantamento traçou o perfil de 242 lideranças, concentradas principalmente em empresas familiares (65,7%) do Sudeste (45,8%) com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões (39,7%). A análise também incluiu gigantes que faturam acima de R$ 2 bilhões (7,4%) e companhias listadas na Bolsa (3,3%).

Para quem busca romper essa barreira, o domínio técnico das planilhas já não é o único requisito, segundo o estudo. Hoje, 77,7% do mercado valoriza, acima de tudo, a capacidade de conectar o planejamento estratégico da companhia a uma alocação de capital inteligente.

Saber construir parcerias e influenciar os rumos do negócio também são habilidades que foram citadas por quase 60% dos entrevistados e o domínio de ferramentas como Inteligência Artificial aplicada às finanças já é exigido por mais de metade das empresas (55%), ao lado de gestão de pessoas e o FP&A (planejamento e performance).

A realidade do mercado

De acordo com os entrevistados, 52,1% das empresas planejam manter o tamanho de suas equipes financeiras, cerca de 27% pretendem acelerar as admissões e pouco mais de 20% vão recuar ou diminuir a oferta de vagas.

Artur de Castro Frischenbruder, sócio da Evermonte, defende que a solução muitas vezes já está dentro das organizações. Para o consultor, as empresas devem focar em preparar suas próprias executivas, que já dominam a operação, para assumir esses postos.