Mulheres ocupam apenas 31% das indicações e reforçam abismo de gênero em Hollywood

Embora tenham batido recorde com 74 nomeações, as mulheres ainda são minoria em categorias de direção e enfrentam exclusão total em áreas técnicas

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"Hamnet", dirigido por Chloé Zhao, foi indicado em 8 categorias na premiação. Foto: Divulgação

A lista de indicados à 98ª edição do Oscar, divulgada nessa quinta-feira, 22, trouxe um cenário agridoce para a representatividade feminina na Academia. Embora a premiação tenha tido 74 indicações para mulheres, o maior número da história, elas representam apenas 31% do total de nomeados, excluindo as categorias de atuação. 

Historicamente, o reconhecimento a elas fica restrito a nichos ligados à estética. Em 2026, a categoria de “Melhor Figurino” é o maior exemplo disso, sendo composta exclusivamente por mulheres. 

De acordo com um levantamento da Hibou para a Forbes Brasil, cerca de 69% das estatuetas de Figurino entregues até 2024 tiveram ao menos uma mulher entre os vencedores. 

No entanto, quando o foco migra para o comando das obras, a barreira de gênero se torna evidente: este ano, Chloé Zhao foi a única cineasta indicada a Melhor Direção, por seu trabalho em “Hamnet”.

Em quase um século de premiação, cineastas mulheres foram indicadas apenas 11 vezes ao prêmio, com apenas três vitórias: Kathryn Bigelow (2010), a própria Chloé Zhao (2021) e Jane Campion (2022). Esse total representa apenas 3% das estatuetas da categoria em toda a história do Oscar. 

O impacto da falta de representatividade nos bastidores

Estudo recente realizado pela UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) indica que a presença de mulheres na direção ou no roteiro é o principal motor para a formação de equipes mais diversas e para a criação de personagens femininas com maior profundidade.

Porém, com a falta de representatividade, o cenário de exclusão se torna ainda pior nas áreas técnicas. Em 2026, três categorias não possuem sequer uma mulher indicada: “Montagem”, “Trilha Sonora” e “Roteiro Original”. 

A categoria de “Trilha Sonora”, inclusive, mantém uma das piores médias históricas de premiação (3%), superando apenas “Fotografia” e “Direção”. Neste ano, em “Efeitos Visuais”, entre os 20 profissionais que disputam a estatueta pelas cinco equipes indicadas, há apenas uma mulher, Charmaine Chan, pelo filme “Jurassic World: Recomeço”. 

Porém, nem todas as estatísticas são desanimadoras. Em “Melhor Animação”, todos os filmes indicados possuem ao menos uma mulher entre os nomeados e a nova categoria de “Direção de Elenco” também estreou com forte presença feminina. Além do brasileiro Gabriel Domingues, por “O Agente Secreto”, o prêmio é disputado por quatro mulheres: Nina Gold, Jennifer Venditti, Cassandra Kulukundis e Francine Maisler. 

Já na categoria de “Canção Original”, EJAE e a veterana Diane Warren foram nomeadas, enquanto em Roteiro Adaptado, Maggie O’Farrell e Chloé Zhao são as únicas representantes.

A conjuntura da premiação

Olhando para o histórico até a edição de 2024, as mulheres não atingiram sequer 18% dos vencedores nas principais categorias. Das 1.695 estatuetas entregues nessas áreas, 82,12% foram para homens ou grupos exclusivamente masculinos. 

Nesse sentido, o caso mais extremo permanece na categoria de “Melhor Fotografia”, onde nenhuma mulher foi premiada e elas obtiveram apenas três indicações em 126 troféus entregues.

Até 2025, apenas Mandy Walker, em 2023, por “Elvis”; Ari Wegner, em 2022, por “Ataque dos Cães”; e Rachel Morrison, em 2018, por “Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi” foram nomeadas. Porém, 2026 adicionou mais um nome a essa lista: Autumn Durald, que concorre ao prêmio por “Pecadores”.