Mulheres percebem 11% mais riscos no uso de IA em cenários de incerteza

Pesquisa indica que a desconfiança feminina cresce quando os impactos da IA, como a perda de empregos e reprodução de preconceitos, não são claros

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Segundo o estudo, dois fatores ajudam a explicar essa diferença: a maior aversão a riscos e o maior nível de exposição aos potenciais danos da IA. Foto: Envato

Um novo estudo conduzido pela Northeastern University mostra que as mulheres tendem a ser mais cautelosas em relação ao uso de inteligência artificial do que os homens, especialmente quando seus efeitos econômicos ainda são incertos. A pesquisa foi publicada na revista científica “PNAS Nexus” e analisou dados de cerca de 3 mil pessoas nos Estados Unidos e no Canadá.

De acordo com os pesquisadores, as mulheres têm uma percepção de que a IA oferece maior risco quando não há garantias claras sobre os impactos em questões como geração de empregos e renda. Em outros contextos, em que os benefícios econômicos são mais claros e definidos, essa diferença de percepção praticamente desaparece.

Para Beatrice Magistro, professora assistente de governança de IA na Northeastern e uma das autoras do estudo, o objetivo da pesquisa não é julgar a tecnologia em si, mas compreender como diferentes grupos reagem a ela. “Não estamos discutindo se a IA é boa ou ruim, estamos simplesmente tentando mostrar que isso está acontecendo, quer queiramos ou não”, afirmou à “Northeastern Global News“.

Os dados indicam que as mulheres são cerca de 11% mais propensas do que os homens a avaliar que os riscos da inteligência artificial superam seus benefícios. Além disso, elas demonstraram maior incerteza ao responder perguntas abertas sobre o impacto da tecnologia, afirmando mais frequentemente que “não sabem” ou “não têm certeza” sobre possíveis ganhos associados à IA.

A explicação para essa percepção

Segundo o estudo, dois fatores ajudam a explicar essa diferença: a maior aversão a riscos e o maior nível de exposição aos potenciais danos da IA, como perda de empregos, reprodução de preconceitos, aumento das desigualdades e, de forma geral, os impactos negativos da ferramenta.

Nesse caso, um levantamento recente do “FGV Ibre” (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) aponta que as mulheres estão entre os grupos mais expostos aos efeitos da IA, com cerca de 35,4% das trabalhadoras exibindo algum grau de exposição. 

A pesquisa também aponta que essa visão mais cautelosa está ligada a sub-representação delas em cargos de liderança e em setores ligados à inovação, o que tende a ampliar a percepção de vulnerabilidade delas diante das ferramentas tecnológicas.

Dados da “Woman in Tech” mostram que mulheres representam cerca de um quarto da força de trabalho global em tecnologia e menos de 20% das posições de liderança sênior. Nesse contexto, os avanços da IA correm o risco de aprofundar ainda mais as desigualdades já existentes, inclusive as salariais.