A presença de mulheres na direção dos filmes de maior bilheteria dos Estados Unidos voltou a encolher em 2025. Entre as 100 produções que lideraram as bilheterias no país ao longo do ano, apenas nove tiveram uma mulher na direção, segundo novo relatório divulgado pela Annenberg Inclusion Initiative, da Universidade do Sul da Califórnia, na quinta-feira, 01.
O número representa um recuo em relação a 2024, atingindo um dos patamares mais baixos dos últimos anos. Depois de atingir seu ponto mais alto em 2020, quando mulheres responderam por cerca de 15% das direções de grandes produções, a participação feminina passou a oscilar e, em 2025, esse percentual caiu para pouco mais de 8%.
O estudo ainda destaca que esse cenário não está ligado à qualidade dos trabalhos, que receberam avaliações críticas equivalentes e, em alguns casos, superiores, às dos filmes dirigidos por homens. Diretoras negras e de outros grupos racializados, inclusive, aparecem entre as mais bem avaliadas pela crítica especializada.
A queda reforça a percepção de que o acesso das mulheres, especialmente em produções de grande orçamento, continua dependente de decisões estruturais dentro dos estúdios.
Estúdios concentram as decisões
Outro ponto central do relatório é o papel dos grandes estúdios nesse cenário. As empresas tradicionais de Hollywood, como a Paramount Pictures, Warner Bros. e Lionsgate, não contrataram nenhuma mulher para dirigir seus principais lançamentos em 2025.
Além da falta de consistência nas contratações, nos casos em que houve maior abertura, isso coincidiu com a presença de mulheres em cargos executivos de alto escalão. A Universal Pictures apareceu como o estúdio que mais contratou mulheres desde 2007. com a presença de Donna Langley, presidente da NBCUniversal Entertainment.
Apesar do recuo nos blockbusters, fora do circuito dos grandes estúdios o cenário é menos desigual. Festivais independentes, produções televisivas e de streamings apresentam maior presença de diretoras à frente das produções.
Na televisão, dados do Sindicato dos Diretores da América indicam que mais de um terço dos episódios exibidos na temporada 2023–2024 foram dirigidos por mulheres. Já segundo a Netflix, cerca de um quinto dos filmes lançados recentemente teve direção feminina.
As consequência da diminuição da diversidade
Para as pesquisadoras responsáveis pelo estudo, a queda registrada em 2025 representa um sinal de alerta. Após anos de debates sobre representatividade, o enfraquecimento dessas iniciativas pode prejudicar os avanços e limitar a diversidade de histórias contadas nas produções.
O relatório defende algumas medidas para reverter esse quadro, como a divulgação de critérios transparentes de contratação, ampliação de programas de desenvolvimento profissional e um maior compromisso dos estúdios com a diversidade atrás das câmeras.