Mulheres pretas, pardas e da classe C são as que mais compram livros no Brasil

O consumo cresceu no país em 2025 e cerca de 11 milhões de pessoas adquiriam livros de colorir, como o “Boobie Goods”

O crescimento
O crescimento da leitura Young Adult foi de 3,4% no último ano. Foto: Envato

Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e realizada pela Nielsen BookData, o maior grupo consumidor de livros no país hoje é composto por mulheres pretas e pardas da classe C.

Elas representam 15% de todo o público que adquiriu ao menos um exemplar nos últimos 12 meses, dentre as 16 mil pessoas ouvidas pelo estudo. As mulheres compõem a grande maioria dos leitores e são 61% dos compradores no Brasil, sendo metade desse número composto por pretas e pardas. 

O estudo mostra ainda que o consumo cresceu 2% no país em 2025, o que significa um acréscimo de 3 milhões de novos leitores. O crescimento é generalizado. 

Nos 12 meses anteriores ao levantamento, realizado em outubro do ano passado, 18% dos entrevistados haviam adquirido um ou mais títulos. O destaque fica para os jovens de 18 a 34, com um aumento de 3,4% em comparação com 2024. 

O que está por trás do crescimento? 

Cerca de 11 milhões de brasileiros, 7,1% da população adulta e 40% dos consumidores de literatura, compraram livros de colorir no último ano. A febre de títulos como “Boobie Goods” nas redes sociais, que funcionam como um momento de desestresse, foi determinante. 

O crescimento da literatura jovem, conhecida como “Young Adult”, também foi essencial para esse número, com uma alta de 3,4% nas compras entre pessoas de 18 a 34 anos.

A forma como essas mulheres compram também mudou. As redes sociais são a principal porta de entrada: 56% utilizam plataformas digitais para comprar sua próxima leitura, segundo o levantamento. Dos respondentes, 53% adquiriram seu último livro on-line. 

70% dos consumidores também afirmam acompanhar lançamentos por meio de sites de compras (34%), indicação de pessoas próximas (30%), livrarias (24%) e criadores de conteúdo (22%).

No entanto, a importância do espaço físico ainda está presente. A livraria física ainda é vista por mais da metade das entrevistadas como um “espaço de relaxamento” e “conexão com a cultura” para 46% delas.