Mulheres são 28% das ganhadoras do Oscar e marcam presença em 13 categorias

Apesar do feito histórico de Autumn Durald Arkapaw, os números da Academia revelam que Hollywood ainda é um território dominado pelos homens

Patrick T. Fallon/AFP
Amy Madigan recebe o Oscar por 'A Hora do Mal'. Foto: Patrick T. Fallon/AFP

O Oscar 2026, realizado neste domingo, 15, em Los Angeles, foi marcado por uma noite de contrastes. Por mais que tenha tido premiações históricas, como as de Autumn Durald Arkapaw (Melhor Fotografia) e Cassandra Kulukundis (Melhor Direção de Elenco), das 24 categorias contempladas, apenas 13 premiaram mulheres. Ao analisar o total de vencedores, elas representam cerca de 28,85% das 52 estatuetas distribuídas na noite.

O momento mais emblemático da noite foi, sem dúvida, a vitória de Autumn Durald Arkapaw. Ao vencer na categoria de Melhor Fotografia pelo filme “Pecadores”, a cineasta encerrou um jejum de 98 anos em que apenas homens haviam sido premiados. 

Autumn, que também é a primeira mulher não branca a concorrer na categoria entre as quatro indicadas desde sua criação, utilizou o seu discurso para agradecer ao apoio que recebeu ao longo da trajetória de premiações. 

“É uma grande honra estar aqui e eu realmente quero que todas as mulheres nesta sala se levantem, porque sinto que não teria chegado até aqui sem vocês. Eu digo isso de verdade, de coração”, disse. 

Recordes de indicações

Este ano, a Academia registrou 33% de mulheres entre os 218 indicados, o maior índice da história, igualando o recorde de 2021. Porcentagem que foi ligeiramente menor entre os vencedores (28,85%), com 15 mulheres premiadas em 13 categorias, entre vitórias individuais e compartilhadas. 

Áreas como Melhor Direção, Fotografia e Efeitos Visuais tiveram apenas uma mulher indicada em cada, com Autumn sendo a única a levar a estatueta para casa. Já em categorias como Roteiro Original, Trilha Sonora e Montagem, a presença feminina foi inexistente nesta edição.

Mas também houve avanços: pela primeira vez, as mulheres foram maioria entre os indicados a Melhor Filme de Animação e representaram 60% em Direção de Arte, categorias em que Maggie Kang e Michelle LM Wong por “Guerreiras do K-Pop, ao lado de Chris Appelhans, e Tamara Deverell por Frankenstein, ao lado de Shane Vieau, venceram. 

Na nova categoria de Melhor Seleção de Elenco, quatro dos cinco nomes na disputa eram femininos, em um setor em que as mulheres já possuem forte atuação, o que se consagrou com a vitória de Cassandra Kulukundis por “Uma batalha após a outra”. 

Já em Melhor Figurino, a tradição manteve-se e pela nona vez na história, todos os indicados foram mulheres, com a vitória do trabalho feito em Frankenstein por Kate Hawley. 

A realidade por trás da escassez 

Desde a criação da premiação em 1929, apenas 17,8% dos indicados foram mulheres, uma proporção de cinco homens para cada mulher, proporção que se mantém entre as ganhadoras (17%). Por mais que sua menor representação esteja crescendo, ela ainda é um reflexo direto do que acontece nos bastidores. 

Os homens ainda ocupam a vasta maioria dos cargos de liderança e gerem os maiores orçamentos de produção, o que reflete nas contratações. Com menos mulheres recebendo oportunidades para dirigir grandes produções ou liderar departamentos técnicos, sua presença nessas áreas continua restrita.

Este ano, Chloé Zhao foi a única cineasta indicada a Melhor Direção, por seu trabalho em “Hamnet”. Em quase um século de premiação, apenas 11 mulheres marcaram presença na categoria, com apenas três vitórias: Kathryn Bigelow (2010), a própria Chloé Zhao (2021) e Jane Campion (2022). Esse total representa apenas 3% das estatuetas da categoria em toda a história do Oscar.