Uma pesquisa do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) aponta que mulheres ganham mais que homens apenas em setores nos quais são minoria no mercado de trabalho. O levantamento mostra que a única área em que a renda feminina supera a masculina é a construção civil, onde os salários das mulheres chegam a ser até 50% maiores. Apesar disso, elas representam apenas 4% dos profissionais do setor, o que evidencia a baixa participação feminina na área.
Em setores com predominância de mulheres, a situação é oposta. Educação, saúde humana e serviços sociais concentram cerca de 74% de participação feminina, ficando atrás apenas do trabalho doméstico, com 92% de presença de mulheres. Nessas áreas, entretanto, ocorre uma das maiores disparidades salariais: mulheres recebem em média 39% menos que os homens.
Segundo a pesquisadora Isabela Duarte Kelly, responsável pelo estudo da FGV, a desigualdade salarial feminina está ligada tanto à concentração de mulheres em cargos de menor prestígio quanto à diferença de remuneração em funções equivalentes.
Na educação, por exemplo, homens ocupam com maior frequência cargos no ensino superior, enquanto as mulheres estão mais presentes no ensino infantil, que paga menos. Na área da saúde ocorre fenômeno semelhante: médicos ainda são majoritariamente homens, enquanto as mulheres predominam em profissões como enfermagem. Mesmo entre profissionais médicos, os salários masculinos continuam sendo superiores.
Por que mulheres ganham menos que homens
O estudo também indica que a diferença salarial entre homens e mulheres aumenta ao longo da carreira. No início da vida profissional, as remunerações costumam ser semelhantes, mas o distanciamento cresce com o passar dos anos.
Entre os fatores apontados estão licença-maternidade, interrupções na carreira e a sobrecarga com tarefas domésticas, que reduzem o tempo disponível para progressão profissional.
No último trimestre de 2025, a diferença salarial média entre homens e mulheres no Brasil foi de 21%. Quando se considera raça, o cenário se agrava: mulheres negras recebem 24% menos que mulheres brancas e cerca de 40% menos que homens.
A pesquisa também mostra que a desigualdade no mercado de trabalho está ligada à divisão do trabalho doméstico. Em média, mulheres dedicam cerca de 21 horas semanais a cuidados da casa e da família, enquanto os homens dedicam aproximadamente 11 horas, independentemente do cargo que ocupam.
Essa chamada dupla jornada feminina continua sendo um dos principais fatores que limitam a ascensão das mulheres no mercado de trabalho.