Desde sua construção, a Torre Eiffel carrega em sua estrutura uma homenagem ao avanço científico da época com os nomes de 72 cientistas e engenheiros gravados no monumento. Todos homens. Mais de um século depois, a França decidiu rever essa escolha e corrigir a ausência histórica de mulheres com a inscrição de mais 72 nomes.
A Prefeitura de Paris, em conjunto com a SETE (Sociedade de Exploração da Torre Eiffel) e a associação “Femmes & Sciences”, confirmaram a criação de uma nova divisão no monumento para homenagear mulheres que tiveram grande contribuição para a ciência.
O projeto foi iniciado em março de 2025 e, na semana passada, a Cidade de Paris revelou as cientistas selecionadas. A instalação está prevista para ocorrer até 2027 e seguirá critérios rigorosos de preservação do patrimônio histórico, com a adição dos 72 novos nomes em um friso logo acima do friso já existente, no primeiro andar.
“Desde 1889, por iniciativa de Gustave Eiffel, a Torre Eiffel celebra a ciência com os nomes de 72 cientistas franceses — todos homens — inscritos em letras douradas ao redor do seu primeiro andar. Esta nova adição restituirá às mulheres cientistas o lugar que lhes cabe neste panteão científico”, divulgaram em comunicado oficial.
A seleção levou em conta o equilíbrio entre as grandes áreas do conhecimento: física, química, matemática e informática, ciências da Terra, biologia, medicina e engenharia. A validação oficial da lista será feita pelas Academias de Ciências, Medicina e Tecnologia.
Destaques da lista
Entre as pesquisadoras ignoradas pela lista original está o da matemática Sophie Germain, cujos estudos sobre a elasticidade dos metais foram decisivos para os cálculos estruturais da própria torre, ficando conhecida como “a esquecida da Torre Eiffel”.
Entre os nomes escolhidos está Marie Curie (1867–1934), única pesquisadora a receber dois prêmios Nobel em áreas científicas diferentes e primeira mulher a ingressar no Panteão francês, em 1995.
A lista também inclui a física brasileira Georgette Délibrias, pioneira na utilização do carbono-14 e cuja pesquisa foi fundamental para a datação da presença humana no Brasil em cerca de 32 mil anos atrás, alterando estimativas anteriores, que indicavam aproximadamente 13 mil anos.
Confira a seguir a lista completa das homenageadas:
Denise Albe-Fessard, Yvette Amice, Jeanne Baret, Denise Barthomeuf, Madeleine Brès, Yvonne Choquet-Bruhat, Simonne Caillère, Yvette Cauchois, Edmée Chandon, Marthe Condat, Anita Conti, Eugénie Cotton, Radhia Cousot, Croissant Odile, Maria Curie, Augusta Déjérine, Henriette Delamarre, Georgette Délibrias, Nathalie Demassieux, Rosa Dieng, Angélique du Coudray, Louise du Pierry, Henriette Mathieu-Faraggi, Jacqueline Ferrand, Jacqueline Ficini, Rosalinda Franklin, Marthe Gautier, Sophie Germain, Jeanne Guiot, Geneviève Guitel, Sébastienne Guyot, Claudine Hermann, Andrée Hoppilliard, Marie-Louise Dubreil-Jacotin, Irène Joliot-Curie, Geneviève Jourdain, Dorothéa Klumpke.
Lydie Koch, Colette Kreder, Nicole Laroche, Cornélie Lebon-de Brambilla, Yolande Le Calvez, Paulette Libermann, Marianne Grunberg-Manago, Nicole Mangin, Cécile Morette, Edith Mourier, Ethel Moustacchi, Suzanne Noël, Yvonne Odic, Isabelle Olivieri, Marie-Louise Paris, Margarida Perey, Claudine Picardet, Alberta Pullman, Pauline Ramart, Lucie Randoin, Alice Recoque, Michelle Schatzman, Anne-Marcelle Schrameck, Marie-Hélène Schwartz, Josiane Serre, Alice Sollier, Hélène Sparrow, Bianca Tchoubar, Maria Antonieta Tonnelat, Teresa Tréfouël, Agnès Ullmann, Arlette Vassy, Suzanne Veil, Jeanne Villepreux e Toshiko Yuasa.