Percepção de igualdade de gênero recua no Brasil

Levantamento aponta que os brasileiros estão mais céticos quanto à paridade no trabalho, no lar e na política, com o hiato de opiniões aumentando conforme as mulheres envelhecem

Envato
A percepção das mulheres muda drasticamente a partir dos 25 anos Foto: Envato

A sensação de que homens e mulheres possuem condições iguais sofreu um retrocesso significativo no Brasil nos últimos dois anos. Uma pesquisa realizada pela Market Analysis, entre 9 e 16 de janeiro de 2026, mostra que essa visão caiu em todas as esferas, tanto da vida pública quanto privada.

Em 2024, 55% dos entrevistados acreditavam na igualdade profissional, número que recuou para 50% em 2026. No ambiente doméstico, a percepção de equilíbrio nas tarefas também caiu, passando de 58% para 55%. O Brasil caminha na contramão da tendência global, que apresentou avanços nos índices durante o mesmo período.

Os dados mostram que os homens são consideravelmente mais otimistas que as mulheres. No ambiente doméstico, 58% deles acreditam que as responsabilidades estão divididas de forma justa, enquanto apenas 52% das mulheres concordam com essa afirmação.

Essa diferença de visão se acentua no mercado de trabalho, com 55% dos homens enxergando igualdade, contra apenas 45% das mulheres. A política é o setor com a avaliação mais baixa para ambos, com apenas 37% da população acreditando em uma participação equilibrada.

Envelhecimento e desigualdade

Segundo o estudo, a idade e a rotina profissional são fatores determinantes para a opinião dos entrevistados. Os mais jovens, entre 18 e 24 anos, costumam ser mais otimistas, mas a percepção das mulheres muda drasticamente a partir dos 25 anos, quando elas assumem mais obrigações familiares e enfrentam a realidade do mercado.

A maior diferença se encontra na faixa dos 45 aos 54 anos. Neste grupo, 66% dos homens veem igualdade profissional contra apenas 45% das mulheres, o que piora ainda mais quando o assunto é política, com 56% dos homens acreditando na paridade e apenas 34% das mulheres.

Mesmo quando estão inseridas no mercado de trabalho em tempo integral, as mulheres mantêm uma visão crítica sobre a jornada dupla. Entre os entrevistados, 61% acham que as tarefas domésticas são divididas de forma igualitária, visão que é corroborada por apenas 50% das mulheres, que ainda sentem que lidam com sobrecarga doméstica. 

Segundo a pesquisa, fatores como o aumento dos casos de feminicídio, a divulgação constante da violência de gênero e a ascensão de movimentos conservadores reforçam papéis tradicionais e contribuem para essa sensação de estagnação e retrocesso nas pautas de igualdade.