Novo estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional), divulgado nesta semana, desmistifica a visão de que o Bolsa Família desestimula a busca por emprego, especialmente entre às mulheres. Segundo análise de dados da Pnad Contínua (IBGE), outros fatores fazem com que elas se afastem do mercado de trabalho.
Das 18,84 milhões de famílias atendidas pelo programa, 84,38% são chefiadas por mulheres, atingindo mais de 15,9 milhões de brasileiras com um benefício médio de R$ 680. Segundo a pesquisa, o valor funciona como uma rede de segurança, não como um freio, exceto para mulheres com filhos de até 6 anos.
De acordo com as projeções do FMI, se o Brasil reduzisse pela metade a diferença de participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho até 2033, de 20% para 10%, o PIB nacional poderia ganhar um fôlego extra de 0,5 pp ao ano.
Salários baixos e trabalho invisível
Se o Bolsa Família não é o culpado, o que mantém as mulheres fora do mercado, segundo o estudo, são dois fatores principais: a diferença salarial e a economia do cuidado.
Mesmo com escolaridade e cargos equivalentes, as mulheres ainda ganham 22% menos que os homens. Para muitas beneficiárias, se o salário oferecido é baixo e o custo de cuidar dos filhos é alto, elas são empurradas de volta para o trabalho não remunerado dentro de casa.
Além disso, as mulheres dedicam, em média, 9,8 horas a mais por semana a tarefas domésticas do que os homens. Entre as mulheres negras, esse número é ainda maior, segundo o estudo “Políticas para a Corresponsabilidade no Mundo do Trabalho” feito pelo MDS e a OIT (Organização Internacional do Trabalho).
Além disso, 50% das mulheres deixam o mercado de trabalho até dois anos após o nascimento do primeiro filho, enquanto os homens, em média, aumentam seus rendimentos nesse mesmo período.
O caminho para o futuro
O relatório do FMI sugere que o crescimento econômico do Brasil não depende do corte de benefícios, mas sim de investimentos em infraestrutura social. Entre as soluções propostas estão:
- Infraestrutura de cuidado: Expandir creches e assistência a idosos para liberar o tempo da mulher
- Lei da igualdade salarial: Aplicar a legislação de 2023 para garantir a equidade de pagamento
- Ajustes no Bolsa Família: Ajustar a transição do benefício para o emprego formal, garantindo que a mulher não perca a segurança financeira no momento em que consegue uma carteira assinada
Para a realização do estudo o FMI utilizou dados coletados na PNAD-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).