Novo estudo publicado pelo NBER (National Bureau of Economic Research), conduzido por pesquisadores do GOVAI (Centre for the Governance of AI), analisou não apenas quais ocupações estão mais expostas à IA, mas quem tem maior capacidade de se adaptar a essas mudanças.
Segundo o estudo, as mulheres representam uma parcela esmagadora do grupo considerado de “alta vulnerabilidade”, compondo 81,3% dos trabalhadores em risco severo, contra apenas 48% nos demais grupos.
Esses 6,1 milhões de pessoas, concentradas principalmente em funções de suporte, como secretárias, balconistas, escriturários e assistentes médicos, exercem cargos que a tecnologia consegue realizar com mais velocidade, mas que oferecem poucas rotas de fuga para outras carreiras.
A importância da adaptabilidade
A pesquisa também trouxe um “Índice de Adaptabilidade”, que aborda o fato de que a implementação de tecnologia não é um fator isolado. O que mais torna os profissionais, principalmente as mulheres, vulneráveis à demissão é a falta de ferramentas para realizar uma transição de carreira.
A riqueza líquida é o fator com maior peso, segundo o estudo. Nesse caso, ter dinheiro guardado permite que ela procure um emprego melhor com calma, em vez de aceitar qualquer oferta por desespero.
Além dele, outros fatores influentes são a habilidade de transferibilidade, o local de moradia e a idade. O risco aumenta quando o conhecimento delas fica restrito a tarefas administrativas e que não podem ser aplicadas a outras áreas.
Cidades que abrigam grandes universidades e órgãos públicos são as regiões de maior risco, nesse caso, pois dependem de maior suporte administrativo, em contraste com grandes polos de tecnologia.
Profissionais com mais de 55 anos também enfrentam mais obstáculos por sofrerem perdas financeiras maiores após uma demissão e possuírem menos flexibilidade para se mudar ou recomeçar do zero em uma nova área.
Escolaridade
Outro ponto trazido pela pesquisa é a diferença de educação: apenas 4,9% do grupo vulnerável possui diploma de bacharelado ou superior, contra mais de 10% em outras profissões.
Por outro lado, segundo o levantamento, cerca de 70% dos trabalhadores impactados, entre eles advogadas, analistas financeiros e gerentes de marketing, estão mais protegidos por possuírem bons recursos ou habilidades de adaptação.
Profissões especializadas, como profissionais que atuam com encanamento, construção civil e eletricidade, também parecem menos vulneráveis, pois são mais difíceis de automatizar.