O Prêmio Ambiental Goldman, conhecido como o “Nobel Verde”, em sua 37ª edição, premiou de forma inédita uma turma composta apenas por mulheres. Com contextos sociais e geográficos completamente diferentes, cada uma das seis vencedoras deste ano receberam US$ 200.000 pelo impacto de seus esforços no combate às mudanças climáticas.
Sarah Finch (Reino Unido), foi uma das vencedoras e liderou uma batalha judicial histórica para frear o avanço dos combustíveis fósseis em seu país. Já Alannah Acaq Hurley (Alasca, EUA), colocou-se na linha de frente para proteger rios e garantir os direitos territoriais indígenas contra a ameaça da mineração.
Borim Kim (Coreia do Sul), comandou a luta para responsabilizar indústrias pela poluição severa que assola as populações locais, tal como Yuvelis Morales Blanco (Colômbia), que foi premiada por sua defesa das florestas e áreas rurais contra a expansão de projetos de extrativismo.
Theonila Roka Matbob (Papua Nova Guiné) foi consagrada por sua luta para que mineradoras assumissem a responsabilidade pelos danos ambientais deixados na região e Iroro Tanshi (Nigéria) foi a idealizadora de programas para a conservação da biodiversidade, colocados em prática na região.
O reconhecimento tardio
Para Michael Sutton, diretor executivo da Fundação Ambiental Goldman, o prestígio dado à liderança feminina já estava muito atrasado. Ele observou que elas sempre estiveram na vanguarda, inovando, sugerindo caminhos e despertando a consciência coletiva, mas raramente eram premiadas por isso.
O protagonismo feminino não é aleatório, já que o impacto das crises climáticas é desigual. Quando ocorrem incêndios, secas ou enchentes, o peso do trabalho não remunerado sobre as mulheres aumenta drasticamente.
Como elas costumam ser as responsáveis pelo cuidado com a família e por tarefas domésticas básicas, como a coleta de água, tornam-se muito mais vulneráveis e são mais afetadas pelas mudanças ambientais.
O que os dados mostram
Segundo o Panorama de Gênero da ONU Mulheres 2024, as mudanças climáticas podem empurrar mais 158 milhões de mulheres e meninas para a pobreza até 2050, um número 16 milhões maior do que a estimativa para os homens.
De acordo com o UNICEF, as chances de uma menina abandonar a escola após um desastre climático são 2,5 vezes maiores, e um estudo do Korean Journal of Family Medicine apontou que a falta de água e as altas temperaturas pioram diretamente a pobreza menstrual, além de complicações na gravidez.
O protagonismo na liderança climática
Embora sejam as principais vítimas das crises ecológicas, as mulheres ainda são minoria em cargos decisórios. Dados da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) mostram que elas ocupam apenas 15% dos cargos em ministérios do meio ambiente e 23% das lideranças em organizações do setor.
Ainda que as mulheres ainda enfrentam dificuldades enormes para alcançar postos de autoridade e ter voz ativa, é importante incentivar e aumentar sua presença. “Precisamos realmente encorajar as mulheres a se manifestarem e liderarem o movimento climático”, afirmou a laureada Sarah Finch.