Renata Koch Alvarenga é fundadora da EmpoderaClima, organização brasileira voltada à formação de jovens mulheres para o enfrentamento da crise climática. O trabalho desenvolvido à frente da iniciativa ampliou sua atuação nos debates sobre clima e igualdade de gênero.
Nos últimos anos, essa trajetória ganhou projeção internacional. Em 2021, Renata foi a primeira jovem brasileira a discursar na abertura da Comissão das Nações Unidas sobre a participação efetiva das mulheres na vida pública e na tomada de decisões. No mesmo ano, foi indicada por Malala Yousafzai como uma liderança promissora durante a COP26, em Glasgow, na Escócia.
Renata passou a se dedicar ao estudo de temas ligados a direitos, participação social e sustentabilidade ainda na adolescência, quando começou a participar de trabalhos voluntários. Nascida em Porto Alegre, cresceu cercada por referências femininas que influenciaram sua percepção sobre as desigualdades de gênero.
“Tive inspirações de mulheres que nem sempre tiveram todas as oportunidades, mas que sempre nos encorajaram, a mim e à minha irmã, a ocupar esses espaços. A luta por direitos iguais veio antes, inclusive, da pauta climática”, afirma.
Embora o debate ambiental não estivesse presente de forma direta nas conversas, a realidade climática da cidade passou a impactar sua rotina. “O tema não era uma pauta para muitos brasileiros nos anos 2000, mas era impossível ignorar as chuvas intensas e as enchentes que atingiam Porto Alegre, por exemplo”, conta.
O entendimento mais aprofundado sobre a crise climática veio durante a graduação em Relações Internacionais, etapa que antecedeu o mestrado em Políticas Públicas, em Harvard. Foi na universidade que Renata passou a ter contato com debates globais e a compreender os impactos das mudanças climáticas em grande escala.
“Essa virada aconteceu no fim da adolescência, mas a vontade de fazer algo maior do que eu existe desde muito cedo. Trabalhar com duas bandeiras fortes, clima e gênero, é desafiador, especialmente por representar mulheres em espaços onde ainda há resistência, apesar dos avanços”, detalha.
Mas nem a estrutura conservadora nem os obstáculos do percurso a impediram de buscar respostas. Em 2015, Renata participou pela primeira vez da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP21, realizada em Paris, na França.
Por que empoderar o clima?
A experiência foi decisiva para tirar do papel uma ideia que a acompanhava há anos. Em abril de 2019, Renata fundou a EmpoderaClima, organização voltada à capacitação de jovens mulheres do Sul do Brasil para o enfrentamento da crise climática, a partir de uma perspectiva social e de gênero.
O que ela não imaginava era que a iniciativa ganharia relevância em tão pouco tempo, atraindo a atenção de diferentes públicos e organizações.
Lançada em comemoração ao Dia da Terra, em 22 de abril, a organização começou como uma ferramenta de pesquisa ao abordar temas como a falta de conscientização ambiental, a escassez de recursos e a desigualdade entre homens e mulheres.
“A minha ideia era criar um espaço onde fosse possível falar desses assuntos de forma mais acessível e simples, o que chamamos de uma abordagem ‘tropicalizada’”, explica.
Por viver experiências distintas, como a oportunidade de viajar ao exterior e acessar espaços da ONU, Renata percebeu que os debates existiam nesses ambientes institucionais, “mas não chegavam às pessoas quando voltava para casa”.
O crescimento da organização foi acompanhado por um aumento expressivo de acessos ao site, inclusive de usuários de outras regiões do mundo. Esse alcance internacional impulsionou a tradução dos conteúdos em português para outros idiomas, como inglês, francês e espanhol.
Em 2024, a EmpoderaClima obteve registro como organização não governamental (ONG) e hoje reúne cerca de 50 colaboradores, entre voluntários e profissionais envolvidos em diferentes áreas de atuação.
Renata passou a liderar ações ligadas à inovação e ao desenvolvimento sustentável, o que a posicionou como uma empreendedora social e garantiu destaque na lista Forbes Under 30, em 2024.
“Ao longo dos sete anos à frente da EmpoderaClima, entendi que pensar no futuro é um privilégio. Em muitos casos, a urgência do amanhã limita qualquer pensamento distante. Por isso, meu compromisso é construir pontes e ampliar possibilidades”, finaliza.