Com mais de duas décadas de atuação em desenvolvimento humano e organizacional, Sandra Quinteiro construiu sua trajetória em torno de um propósito: criar ambientes que promovam crescimento, diálogo e transformação. Consultora, docente e facilitadora em empresas, organizações sociais e programas de formação de lideranças, ela combina a escuta atenta dos aspectos comportamentais com uma visão prática de gestão de pessoas.
Entre os clientes que já acompanharam sua atuação estão empresas como Porto Seguro, Unimed, AstraZeneca e organizações como Fundação Lemann, SP Invisível e PNUD. É também docente convidada da Fundação Getúlio Vargas e do MBA USP-ESALQ, além de uma das pioneiras do Programa Germinar – Desenvolvimento de Lideranças Facilitadoras, que desde o início dos anos 2000 inspira gestores a integrarem propósito, consciência e sustentabilidade em seus modelos de liderança.
“Parece óbvio, mas sinto que é sempre preciso repetir: as organizações nada são sem as pessoas”, afirma. Essa visão norteia sua atuação e agora também sua escrita. No Maturi Fest 2025, maior festival de trabalho e empreendedorismo 50+ da América Latina, que aconteceu em São Paulo, Sandra lança oficialmente o livro Reinventando a Vida e a Carreira depois dos 40 – Do QuebraCabeça ao Mosaico.
A obra nasce de uma inquietação que ela passou a observar em processos de mentoria e rodas de conversa: a sensação de desencaixe de profissionais acima dos 40 anos. “Muitos me diziam: ‘parece que, apesar de meus talentos e competências, eu não me encaixo mais no mercado de trabalho’. Essa sensação pode vir de uma perda de emprego, de uma recolocação difícil ou simplesmente de uma chamada interna por mudança. Em todos os casos, há um impacto na autoestima. Foi isso que me moveu a escrever”, explica.
O título, que contrasta a rigidez do quebra-cabeça à fluidez do mosaico, traduz a visão de que as transições de vida não precisam seguir imagens prontas. “O quebra-cabeça exige peças de encaixe perfeito, sem possibilidade de ajustes. Já o mosaico permite reorganizar materiais e criar novas imagens. Assim também é a vida: nossas experiências e saberes são tesselas que podemos (re)organizar para formar uma nova obra de arte”, diz.
A própria autora é exemplo dessa reinvenção. Formada em Comunicação Social, iniciou a carreira em comunicação corporativa, mas, no início dos anos 2000, aproximou-se da antroposofia e das práticas de desenvolvimento humano. “Por um tempo segui com um pé em cada canoa, até que, aos 37 anos, percebi que precisava escolher. Foi um salto desafiador, mas entendi que era possível reorganizar as peças da vida e criar um caminho mais autêntico”, lembra. Hoje, ao lado da consultoria e da docência, ela também se dedica à escrita, unindo poesia e reflexão prática.
O desafio da maturidade
Sua atuação traz ainda um olhar para as barreiras enfrentadas por profissionais maduros. “Existem obstáculos externos, como a valorização insuficiente da experiência ou a centralidade da tecnologia. Mas a maior barreira, muitas vezes, é interna: a resistência ao novo, alimentada por crenças e medos. Quando conseguimos virar essa chave, percebemos que a maturidade pode ser fonte de potência, não de limitação.”
Para Sandra, o debate sobre diversidade etária ainda está aquém de outras pautas. “Enquanto gênero e raça já ganharam mais espaço, a idade ainda carrega estigmas. Falar de envelhecimento segue sendo tabu, quando na verdade todos estamos envelhecendo, e isso deveria ser visto como riqueza.”
Essa riqueza, afirma, é fundamental em ambientes de trabalho multigeracionais. “Jovens trazem velocidade e novas perspectivas; maduros oferecem profundidade e consistência. O verdadeiro desafio das lideranças é criar espaços de diálogo intergeracional. Só assim surgem inovações que não são apenas tecnológicas, mas também humanas.”