A Catedral de São Paulo, em Londres, foi palco, na última quarta-feira, 28, da confirmação oficial de Sarah Mullally, de 63 anos, como a 106ª Arcebispa de Canterbury. Sarah é a primeira mulher a ocupar o posto mais alto da Igreja da Inglaterra, que não possui um chefe formal.
Antes de chegar a função, Sarah se dedicou ao sistema de saúde, chegando a ocupar o cargo de Diretora de Enfermagem da Inglaterra, tornando-se agora a líder espiritual de 100 milhões de membros da Comunhão Anglicana global, presente em 165 países.
“Estes são tempos de divisão e incerteza para o nosso mundo fragmentado. Rezo para que possamos oferecer espaço para partilhar o pão e descobrir o que temos em comum – e comprometo-me com este ministério de acolhimento”, disse Mullally, de 63 anos, em uma declaração escrita divulgada por seu gabinete.
Uma Igreja em transformação (e sob pressão)
Anunciada há quatro meses, a nomeação de Mullally ocorre em um momento crítico. O chamado serviço de Confirmação da Eleição marca um momento importante para a Igreja da Inglaterra, que ordenou suas primeiras mulheres sacerdotes em 1994 e sua primeira mulher bispa em 2015.
Ela herda uma instituição que lida com cicatrizes de escândalos de abuso e negligência. Em seu discurso, a Arcebispa prometeu dar proteção aos sobreviventes de abusos dentro da Igreja.
“Sempre ouviremos as vozes daqueles que foram ignorados ou negligenciados, entre eles as vítimas e sobreviventes de abusos na Igreja, que muitas vezes foram desamparadas”, disse.
Mas o desafio não é apenas interno. Sua ascensão ao topo da hierarquia, substituindo Justin Welby, que anunciou sua renúncia em novembro de 2024 após ser criticado por não comunicar à polícia alegações de abuso físico e sexual, reacendeu tensões com alas conservadoras.
Enquanto a Igreja Católica mantém a proibição da ordenação feminina, na rede anglicana, ainda há uma parcela resistente a pauta, além do criticado apoio de Mullally à bênção de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
A cerimônia
Com juramentos de fidelidade prestados perante o Rei Charles III, Governador Supremo da Igreja, a cerimônia apresentou leituras bilíngues em inglês e português e reuniu bispos e clérigos.
A confirmação legal já foi concluída, mas o rito simbólico acontecerá no dia 25 de março. Sarah Mullally será formalmente consagrada como bispa na Catedral de Canterbury, onde irá proferir seu primeiro sermão oficial e começar de fato seu ministério público.