Uma em cada cinco mulheres não brancas relatou sofrer microagressões e discriminação

Relatório mostra que mulheres de minorias étnicas enfrentam mais obstáculos, preconceito e uma progressão de carreira consideravelmente mais lenta

Envato
Funcionários de minorias étnicas têm o dobro da probabilidade de sofrer cortes salariais Foto: Envato

Segundo novo levantamento realizado pela Censuswide no Reino Unido, encomendado pelas organizações People Like Us e Women in PR,  79% das mulheres de minorias étnicas relataram problemas no ambiente de trabalho no país europeu. No último ano, essa porcentagem foi de 63% entre mulheres brancas e 65% entre homens brancos.

A pesquisa, que ouviu mais de 2.079 pessoas, mostra que o talento não é o problema, mas sim a persistência de sistemas que reproduzem ideais de desigualdade. Nesse caso, funcionários de minorias étnicas têm o dobro da probabilidade de sofrer cortes salariais e de promoções em meio a dificuldades econômicas, e quase o dobro da probabilidade de trabalharem em turnos noturnos em comparação com os brancos.

O estudo também detalha como a discriminação se manifesta na rotina de trabalho, com uma em cada cinco mulheres não brancas tendo relatado sofrer microagressões e discriminação direta, mais que o dobro da observada entre mulheres brancas e homens brancos. 

O “Imposto da Representatividade” 

O silenciamento também é um obstáculo para 25% dos entrevistados, que afirmaram ter se abstido de expressar suas preocupações por medo de represálias por parte dos líderes. Somado a isso, 23% afirmaram carregar o “imposto da representatividade”, que consiste no fardo mental de representar toda a sua etnia no ambiente de trabalho.

A exclusão também se propaga na aceitação de suas ideias, com 29% das mulheres de minorias étnicas já tendo-as descartadas ou rejeitadas até serem repetidas por outra pessoa.

Além disso, 21% afirmaram ter sido preteridas em projetos e oportunidades de desenvolvimento de carreira, enquanto 47% relataram se sentir atrasadas em relação ao que esperavam alcançar na sua idade.

A remuneração também é ressaltada, 18% delas afirmaram receber menos do que colegas em funções semelhantes, enquanto 58% descobriram que colegas com origens étnicas diferentes recebiam mais pelo mesmo posto.

O caminho para a mudança

O relatório sugere algumas soluções baseadas no que as próprias entrevistadas pontuaram. Para 41% delas, o principal ponto de melhora seria a implementação de critérios de promoção mais claros. 

Outras recomendações incluem aumentar a presença de líderes seniores de origens étnicas diversas (30%), adicionar faixas salariais aos anúncios de emprego (26%) e introduzir relatórios sobre a diferença salarial entre os funcionários de diferentes etnias (20%).