Vivian Coser leva o design brasileiro com pedras naturais para Milão

Com presença consolidada na galeria Nilufar Depot e foco em sustentabilidade, a arquiteta leva a riqueza mineral do Brasil ao maior palco do design mundial

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Essa busca levou a arquiteta a Berlim, onde receberá o prêmio iF Design Award por uma de suas criações na próxima segunda, 27. Foto: Divulgação

A Semana de Design de Milão 2026, que acontece entre 20 e 26 de abril, confirma a posição da cidade como um polo de inovação do setor. Nesse cenário, o design brasileiro se destaca com a arquiteta Vivian Coser, que leva a força das pedras naturais para o centro da indústria.

Aos 43 anos, Vivian é designer fixa da galeria Nilufar Depot. Por meio de sua marca, a Sette7, nome que homenageia sua avó e a parceria com a irmã, Erika Coser, seu trabalho apoia-se em uma pesquisa técnica de mais de 22 anos sobre rochas ornamentais. 

Natural do Espírito Santo, estado que concentra o maior polo de processamento de pedras da América Latina, desde o início ela trabalha diretamente com as mineradoras.” Hoje em dia eles que me mandam as amostras para saber o que eu acho do material, minha opinião e se tem potencial. Eu sou um braço de apoio”, conta. 

A exportação do DNA brasileiro

O Brasil é um dos principais exportadores de rochas, com uma variedade superior a 1.200 materiais, mas essa diversidade ainda é pouco conhecida internamente. “O brasileiro nem conhece tudo que tem, não tem acesso porque vai tudo para fora”, pontua.

Mesmo com 95% das melhores pedras destinadas ao mercado externo, Vivian prioriza quartzitos, cristais de rocha puros e materiais raros, como o Botanic, evitando o uso de materiais sintéticos ou importados.

“Comecei no design por não ver a pedra brasileira no mercado, então fiz do DNA da minha pesquisa a nossa pedra natural, a premissa é valorizar o que é nosso”, conta. 

Sustentabilidade e o ciclo de vida do design

Sua trajetória, que recentemente apresentou cinco ativações na SP-Arte para marcas como Rosewood e RFM, reflete a formação italiana, do período em que morou na Itália, com o ideal de brasilidade.

Em sintonia com o foco da Semana de Milão, Vivian, que integra o Green Building há anos, defende que a durabilidade das peças, aliada a baixa geração de resíduos, são fundamentais para a sustentabilidade na indústria.

“O setor das rochas é extremamente sustentável, até porque a emissão de carbono é de 1/3 a 1/4 menos poluente que o material sintético, 98% da água que é utilizada na indústria é de reaproveitamento”, explica.

Para ela, adquirir uma peça de pedra significa investir em um acervo, reduzindo descartes e reformas, já que o material possui um dos ciclos de vida mais longos do mundo. Embora trabalhe com blocos de alta densidade, seu objetivo é unir resistência e delicadeza.

A escala como arquiteta 

Hoje, ela transita entre o desenho de mobiliário, como mesas e vasos, e projetos de arquitetura e empreendimentos imobiliários. “Normalmente desenho o que eu não encontro no mercado”, diz. 

Além da atuação profissional, Vivian é embaixadora do Instituto Terra, do fotógrafo Sebastião Salgado, onde trabalha na compensação de carbono de seus próprios projetos e de empresas com as quais trabalha. 

Essa busca  levou a arquiteta a Berlim, onde receberá o prêmio iF Design Award por uma de suas criações na próxima segunda, 27. “Estou indo logo depois de Milão para Berlim, receber esse prêmio do AF com uma peça em pedra também natural, representando as pedras brasileiras mais uma vez”, conta.